11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Gasolina e grãos espalham inflação por todas as faixas

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo  - A escalada do preço do petróleo e dos grãos fará com que a inflação afete famílias de todos os níveis de renda com intensidade muito próxima em 2022, situação diferente daquela observada no início da pandemia, quando pesou mais sobre a baixa renda.

Essa é a expectativa dos economistas Aloisio Campelo Jr. e André Braz, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), responsáveis pelo estudo "A pressão da inflação da pandemia sobre as famílias mais pobres". O trabalho analisa o comportamento da alta de preços por faixa de renda desde 2020.

A projeção dos pesquisadores é de uma inflação de 7% neste ano para o IPCA, índice do IBGE utilizado como meta para o Banco Central. No ano passado, ficou acima de 10%.

Considerando a inflação acumulada de fevereiro de 2020 a fevereiro de 2022, o IPC-FGV (índice de preços ao consumidor da Fundação) teve alta de 15,2%. A inflação das famílias de renda mais baixa foi de 16,8%. Para a renda mais alta, de 13,6%.

Essa diferença se explica, principalmente, pelos dados de 2020, quando as pressões inflacionárias ficaram muito concentradas entre os alimentos, classe de despesa que compromete mais o orçamento de famílias menos favorecidas, seguida pelos gastos com habitação, que também têm peso decrescente conforme cresce o nível de renda.

De acordo com o estudo, os maiores aumentos neste ano devem ser dos combustíveis fósseis, seguidos por alimentos, bens duráveis e serviços.

Braz cita alguns fatores que devem fazer com que a inflação seja mais uniforme para todas as famílias neste ano.

A redução da tarifa de energia beneficiará os mais pobres. Esse item representa quase 10% do consumo na faixa de menor renda e menos de 3% para os mais ricos.

A alta dos alimentos, por outro lado, prejudica a baixa renda, pois representa 25% do consumo. O peso é de 17% entre os mais ricos, segundo dados de 2021.