11 de julho de 2026
Articulistas

Um dilema entre desenvolvimento e a proteção ao Meio Ambiente!

Rafael Moia Filho
| Tempo de leitura: 3 min

Acidade de Autazes fica no interior do Estado do Amazonas. Pertencente à Mesorregião do Centro Amazonense e Microrregião de Manaus, encontra-se à sudeste de Manaus, capital do estado, distando desta cerca de 113 quilômetros. A cidade ocupa uma área de 7.599,282 km² e sua população, estimada pelo IBGE, é de aproximadamente 38.000 habitantes, sendo assim é o décimo sétimo município mais populoso do estado do Amazonas e o quinto de sua microrregião. Compreende-se pela cidade de Autazes toda a gleba que forma o grande delta dos Autazes, localizado entre os rios Madeira, Amazonas, Solimões e Baixo Purus.

Essa região já era conhecida nos meados do século XVIII, quando a habitavam os índios muras, famosos por sua ferocidade. A cidade ganhou notoriedade e importância diante da guerra entre Rússia e Ucrânia, não pelo conflito em si, mas pelo fato de que o governo brasileiro importa fertilizantes da Rússia, e com o conflito não está podendo importar, colocando em risco a agricultura. A cidade de Autazes entra na estória porque possui uma mega jazida de potássio, principal insumo para a produção de fertilizantes. Para o Governo Federal, a exploração seria suficiente para suprir 25% de toda a necessidade brasileira.

No passado, a decisão tomada era de manter a importação, por ser mais barato. Mas o Brasil trata esse assunto como segurança nacional e alimentar. Então, agora, esse plano feito há um ano, sem prever nada disso, era o que o governo pensava que deveria ter para que o Brasil, uma potência agroalimentar, tivesse um plano de pelo menos 50% ou 60% de produção própria de seus fertilizantes. Percebemos que, no texto acima, não se fala na questão ambiental, visto que a cidade está no coração da floresta amazônica, logo seria natural discutir com especialistas no assunto antes de começar a explorar a jazida. O governador do Estado do Amazonas disse na semana passada que estavam trabalhando com as licenças ambientais com a Secretaria de Planejamento. "Nós precisamos superar algumas questões de ordem jurídica, a questão de consulta junto aos povos indígenas", disse. Ou seja, a exploração vai impactar o meio ambiente e ainda pode afetar a comunidade indígena da região.

Mais uma vez na história do país o governo fica entre o desenvolvimento e a preservação da maior e mais importante fonte de riqueza ambiental do planeta - Floresta Amazônica. Fosse outro governo, com outro presidente poderíamos imaginar que essa discussão seria ampla, teria análises sobre todas as vertentes que estão em jogo, não apenas a econômica. Porém, com Jair no comando, ao menos até o final de 2022, podendo ser até o final de 2026, visto que teremos eleições neste ano, muitas coisas serão discutidas, porém nem o povo indígena nem a Amazônia serão privilegiadas por ele e seu governo.

Durante a ditadura militar entre os anos de 1964 e 1985, os militares queriam o desenvolvimento da região, o projeto era a estrada Transamazônica, cuja competência e coragem para fazê-la não tiveram à época. Agora surge Autazes - AM justamente no caminho de um militar que foi expulso do Exército, odeia povos indígenas e meio ambiente na mesma medida que ama agronegócios, armas, apoio eleitoral e dinheiro. É bom os defensores do meio ambiente e dos povos indígenas acordarem para a questão antes que seja tarde.

O autor é escritor, blogger, analista político e graduado em Gestão Pública.