10 de julho de 2026
Esportes

Uruguaio Magno e argentino Celly resistem como os técnicos estrangeiros com mais títulos no Brasil

FolhaPress
| Tempo de leitura: 3 min

Em 24 de fevereiro de 1980, o Jornal de Sergipe publicou a seguinte manchete: Itabaiana ensinou futebol ao tricampeão brasileiro. A equipe nordestina havia derrotado o Internacional, vencedor da Série A em 1975, 1976 e 1979, por 2 a 1, no Beira-Rio. Era um feito. "É um time de verdadeiros machos", elogiou o técnico, o argentino Juan Celly. Quando isso aconteceu, o uruguaio Felix Magno, um oráculo do futebol em Porto Alegre, já estava aposentado. O ex-jogador e treinador uruguaio morreria no ano seguinte, como um dos maiores técnicos da história do Coritiba.

Magno e Celly são os dois técnicos estrangeiros com mais títulos no futebol nacional - contando estaduais de primeira divisão, torneios nacionais e internacionais. "Eu sou um cigano do futebol que se estabeleceu no Brasil", disse Magno, em entrevista pouco antes de morrer.

Nascido em Las Piedras, no Uruguai, ele chegou ao Brasil em 1926, aos 18 anos. Atuou em oito times da região Sul, mas foi como técnico que marcou. Foi pentacampeão paranaense pelo Coritiba (1951, 1954, 1956, 1957 e 1959), duas vezes vencedor do Mineiro pelo Atlético (1946 e 1947) e triunfou no Catarinense pelo Avaí (1943). Algumas publicações o creditam com o título de Santa Catarina do ano seguinte, mas isso não aconteceu. "Na conquista de 1944, o treinador do Avaí era João Rosa", diz Spyros Diamantaras, historiador do clube.

OS TROFÉUS

Seus oito troféus representam um a mais do que os levantados por Juan Celly. Argentino nascido em Santo Tomé, província de Corrientes, fez carreira como técnico no futebol nordestino, especialmente em Sergipe. Pelo Itabaiana, foi campeão estadual em 1973, 1978, 1979 e 1980. Levantou a taça pelo Confiança em 1990. Fez parte da vitória do Sergipe em 1964 e 1982, esta última dividida com o Itabaiana.

Tal qual Abel Ferreira, Celly afirmava estar preocupado com a qualidade do futebol local e sugeria mudanças. O atual comandante do Palmeiras já se mostrou contrariado com alguns aspectos do esporte no país. Como o calendário, por exemplo.

Em entrevista à Gazeta de Sergipe, em 1964, Celly sugeriu a divisão do Campeonato Sergipano entre equipes do interior e da capital. Seriam dois torneios diferentes, inspirados no que foi feito por décadas na Argentina, onde havia o torneio metropolitano, entre os times da região de Buenos Aires, e os do interior.

"No final, em melhor de três, seria conhecido o campeão. Acrescenta ainda, está faltando valores, renovação. Com atração de outros centros não somente seria a evolução do futebol sergipano como meio de arrastar o torcedor para as praças de esportes, obtendo assim melhores rendas", diz o texto da reportagem.

O PORTUGUÊS

Abel Ferreira tem cinco títulos conquistados no país. Copa do Brasil de 2020, Libertadores de 2020 e 2021, Recopa Sul-Americana de 2022 e Paulista de 2022. Na teoria, tem a possibilidade de ganhar mais três até dezembro: Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores. Isso o faria chegar a oito. Não há data ainda para realização do Mundial de Clubes, competição disputada pelo melhor sul-americano.

"Eu não sei como o time vai estar na metade da temporada. Nossas prioridades foram o Mundial e a Recopa. Temo, fruto da densidade competitiva, dessas viagens que vamos fazer, extremamente desgastantes, o pouco tempo de repouso. Não sei como vamos aguentar, mas vamos fazer tudo o que for possível", disse o português. Segundo o técnico, o Palmeiras foi preparado para atingir o ápice no Mundial de Clubes, em fevereiro, quando perdeu do Chelsea.

É possível ressaltar que na lista de vitórias de Abel constam torneios nacionais e internacionais, na teoria mais difíceis que os estaduais obtidos por Magno e Celly. Mas os técnicos uruguaio e argentino também superaram dificuldades, como o nível de profissionalismo do futebol nas décadas passadas, algo que o português não enfrenta no Palestra Itália. "Futebol está no meu sangue, então, nem o considero profissão. É um hobby", disse em 1957, Felix Magno, o maior vencedor estrangeiro no Brasil.