09 de julho de 2026
Geral

Fumaça volta aos ambientes fechados com a moda dos cigarros eletrônicos

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Morango, uva, menta, limão, maçã, manga, hortelã, baunilha, café, cappuccino, churros e até cookies. Temperados por uma imensa variedade de essências com sabores e aromas, os cigarros eletrônicos, também batizados de 'vape', estão em alta e têm feito a fumaça voltar com tudo aos ambientes fechados, em Bauru. Divulgados no País, inicialmente, como inofensivos ou menos danosos do que o cigarro convencional, eles caíram no gosto de muitos jovens, adultos e até de adolescentes, em razão do odor que chega a seduzir não só quem faz uso, mas muitas vezes quem está em volta dele.

É neste contexto de aceitação do "vaporzinho cheiroso" que os chamados Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) têm sido cada vez mais notados em locais de grande movimentação e nos estabelecimentos de Bauru, embora a comercialização destes produtos ainda seja proibida no Brasil, assim como sua utilização vedada em ambientes fechados no Estado. Isso porque há quem use e acredite que eles não se enquadrem na Lei Antifumo de 2009, o que é rechaçado pela coordenadora de fiscalização da legislação no Estado, Elaine D'Amico. Ela alerta para punições em caso de flagrante.

Alguns usuários também presumem que a utilização do cigarro eletrônico não cause danos à Saúde, o que é rebatido com veemência pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (leia mais abaixo).

CONSUMO

Uma bancária de 34 anos, que preferiu não se identificar, fuma desde 2011 e passou a usar o cigarro eletrônico em novembro do ano passado, depois de ganhá-lo de um amigo no aniversário. Ela acreditava que o vício poderia diminuir com o equipamento eletrônico, já que é possível dosar a quantidade de nicotina. No entanto, com o passar do tempo, ao invés de reduzir, o consumo diário quadruplicou com o 'vape', em razão da facilidade e praticidade de uso.

"Ele não fede como o convencional. Então, eu acordava fumando e continuava, seja no quarto, na sala, na cozinha. Não tinha que sair de casa, porque o cheiro não incomodava. O mesmo acontecia nos bares: não precisava sair da mesa para fumar, porque as pessoas dificilmente se incomodavam. Só me afastava um pouco", relata a usuária, que desde fevereiro deste ano tem tentado evitar o eletrônico. "Pontualmente, posso até usá-lo em um rolé, mas diariamente como antes, eu não quero mais", completa.

Ela conta que, em algumas baladas, a sensação é de que a Lei Antifumo não é aplicada. "Tem gente que chega a fumar no meio de todo mundo. Quando eu fui, tive sensação de que tínhamos voltado aos tempos em que o cigarro normal era permitido. Isso acontece porque ele não é fedido, mas muitos têm nicotina. Então, acho errado fumar no meio do povo", reforça a bancária.

Uma universitária de 24 anos, fumante desde os 13, descreve ter começado a usá-lo há dois anos, após experimentar os de amigos. "Uso os dois tipos, o cigarro comum e o eletrônico. Mas, confesso que o 'vape' é muito mais gostoso devido aos sabores. Adoro as essências de uva e melancia. Mas acho que o principal aspecto é a facilidade de uso que o eletrônico tem, porque consigo fumar dentro de alguns ambientes fechados, como bares", comenta a universitária.

Estudante de medicina, ela diz ter consciência sobre os malefícios causados pelas substâncias, mas acredita que o uso esporádico, de até duas vezes por semana, possa não acarretar grandes prejuízos.

ATENÇÃO

O controle sobre o uso de cigarros eletrônicos em ambientes fechados tem sido desafio especialmente para quem trabalha nas noites bauruenses.

Proprietária de uma casa noturna, Michele Peron, de 36 anos, conta que tem redobrado a atenção para dar cumprimento à Lei Antifumo, depois que os cigarros eletrônicos viraram moda.

"Os clientes que já conhecem a casa sabem que somos rigorosos com a lei e que não é permitido fumar dentro do estabelecimento. Mas, quem vem pela primeira vez e é fumante, sempre acaba acendendo um eletrônico. Aí, temos que ficar atentos e correr atrás pedindo para apagar e orientar. A atenção é crucial, porque, com as máquinas de fumaça da balada e o fraco odor do cigarro eletrônico, é difícil perceber. E os demais clientes dificilmente reclamam", completa.

Como forma de evitar descumprimentos, ela conta que tem anotado no cadastro da pessoa a situação e, se houver reincidência, o cliente é convidado a se retirar, podendo ser bloqueado em um próximo descumprimento. "No último sábado (2), inclusive, tivemos um bloqueio por causa disso", ressalta Michele.