Após dois anos sem ser realizada por conta da pandemia, a Procissão do Encontro, também conhecida como Procissão do Senhor Morto, um dos atos mais simbólicos da Semana Santa por rememorar a crucificação e morte de Jesus Cristo, levou muitos fiéis às ruas do Centro de Bauru, nesta Sexta-feira Santa (15). O cortejo, organizado pela Catedral do Divino Espírito Santo, ocorreu logo após a celebração litúrgica de Adoração da Cruz, que foi presidida pelo bispo dom Rubens Sevilha.
Com dois andores que abrigavam as imagens de Jesus com a cruz e de Maria, a procissão teve início por volta das 18h e seguiu pelas sete quadras do Calçadão da Batista. Ao longo do trajeto, o pároco da Catedral, padre Adinan Ronieri, lembrou cada uma das 14 estações da Paixão de Cristo, vividas em Jerusalém. Elas rememoram a Via Crucis enfrentada, desde a condenação até as quedas no chão, o encontro com Maria, a cena da limpeza do rosto, a crucificação no Calvário, a Paixão (entrega), a morte e o sepultamento.
Na procissão, um dos momentos mais emocionantes foi quando houve o encontro das imagens de Maria, que seguia mais à frente do cortejo, com a de seu filho Jesus, passagem que remete às dores da mãe, que viveu o sofrimento do filho até os últimos instantes.
Entre os fiéis que abriram mão do descanso no feriado para refletir sobre a Paixão de Cristo, estava Mirian Dutra, de 36 anos, que não pensou duas vezes em levar os três filhos, de 2 meses, 3 anos e 12 anos, para a procissão no Calçadão. Ela contou com a ajuda da amiga Patrícia Barbosa, de 38 anos, para empurrar os carrinhos dos menores durante o cortejo.
"Devemos sempre relembrar do imenso amor de Cristo por nós. Eu não abro mão de estar aqui nessa data e respeitar este silêncio, que é tão importante e nos ensina tanto. Quero que os meus filhos aprendam desde pequenos os passos da fé cristã", observa Mirian.
ADORAÇÃO
Antes da procissão, a Catedral do Divino recebeu a celebração de Adoração da Cruz, que teve início por volta das 15h e durou quase três horas.
Nesta cerimônia, o momento mais emblemático foi quando o bispo descobriu a cruz, que estava tampada com um lenço vermelho, fazendo menção ao Cristo já crucificado.
Na sequência, os fiéis iniciaram uma fila para beijar o objeto, como sinal reconhecimento ao sacrifício de Jesus pela humanidade. A cada ato, a cruz era limpo por um voluntário com álcool 70%.
Dona Leonor de Souza e Silva, de 70 anos, aproveitou para imergir nesse momento de reflexão e fé. "As nossas dificuldades não são nada perto do sofrimento que Jesus passou. Ele nos dá força para seguir em frente. Eu perdi meu marido há 13 anos e, até hoje, não é fácil. Mas, toda Páscoa, minha esperança se renova", comenta a idosa.
Com um dos joelhos debilitados em razão de uma queda, ela utilizava uma bengala para andar. Mesmo assim, ficou cerca de 20 minutos em pé na fila para adorar a cruz. "Depois de tudo o que passamos com essa pandemia, não tinha como não vir e adorá-lo. Inclusive, eu vim a pé para a igreja", completa a fiel, que mora a sete quadras da Catedral.
Vítima de um tiro durante uma tentativa de roubo que o deixou com dificuldades de locomoção, em março de 2007, Peter Martins Cavalcanti, de 44 anos, costumava acompanhar as cerimônias de forma online em casa, mas, diante do arrefecimento da pandemia, ele fez questão de comparecer à Catedral ontem.
"Assim como Cristo ressuscitou, eu também renasci depois de tudo o que passei em 2007. A Páscoa é uma data muito simbólica e importante para mim, pois todo o sofrimento que Jesus passou me motiva. Ele foi um vencedor e eu sempre busco de alguma forma também vencer meus novos limites cada dia um pouquinho mais", finaliza Peter.