Este lado para cima, olhando, lendo, vendo e ouvindo logo pela manhã que se fez bela, pela minha janela. Recobro a consciência de que a paz é mesmo muito frágil, passageira, como disse Milton Nascimento. Nosso planeta, como em outra eras já houve, sofre agora com outras formas de mutações. E torna se cada vez mais real e próximo uma erradicação total da vida na terra.
Mas todo esse saber que o homem vem acumulando há vários e vários séculos, por alguns motivos, não lhe tem sido de grande valia. Pois sobrepõe-se a esses conhecimentos engendrados sentimentos nada nobres, como a cobiça, a inveja e falta de amor a si e ao próximo.
Mas como amar ao próximo, a natureza e outras belezas que nos foram entregues se não somos capazes ao menos da prática do auto-amor.
E o que se vê de muitas janelas que noticiam é a devastação sob a batuta da escravidão do homem, ao dinheiro e ao poder. E nessa ciranda de finanças de onde se ganha e se perde é que os juros a serem pagos vêm nos tornando reféns de créditos impagáveis.
O homem faz e a natureza, em reposta, desfaz, umas guerras começam, outras acabam, mas a essência delas são mantidas e, como ogivas malditas, ficam adormecidas a um olho só, dentro de cada um de nós. E basta uma gota d'água para que essa semente em nós plantadas frutifique do nada, até virar terra estéril devastada.
Será que poderá haver ser mais tolo que o homo sapiens, sobre esse planeta terra e água? Essa resposta pode ser vista por muitas janelas, mas pode ser revertida, apenas através de portas abertas, dentro de cada um de nós.
Portanto, muito mais acessível do que se possa imaginar, entretanto, não mais fácil de lidar....
"A mão que toca um violão
Se for preciso faz a guerra,
Mata o mundo, fere a terra"
(Milton Nascimento).