08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Bauru de antigamente

Cesar Savi
| Tempo de leitura: 3 min

O Estádio "Antônio Garcia", do Bauru Atlético Clube (BAC), na Vila América, clube fundado em 1919, acabou como futebol no início da década de 70. A venda do imóvel para a instalação do supermercado Tauste gerou discussões e polêmicas entre diretores e associados. De acordo com versões nos meios esportivos, tinha a turma do contra e a turma do a favor da negociação.

O fato gerador era que o clube tinha dívidas acumuladas, impagáveis pelo montante e a queda de arrecadação das mensalidades. Surgiram ideias para arrecadar dinheiro e saldar os débitos. Uma delas foi a de cortar o gramado em blocos de 30cm x 30 cm, colocá-los em caixas plásticas com uma etiqueta "Gramado onde Pelé começou sua carreira. Bauru Atlético Clube". Não foi aprovada. Uma outra foi a tentativa do complexo esportivo ser comprado pela Prefeitura por um valor que resolveria o problema do clube. O local, de acordo com os defensores dessa tese, seria ideal para a iniciação de jovens em vários esportes.

Tudo de graça para uma possível revelação de novos jogadores ou praticantes de outros esportes. O BAC tinha duas piscinas, bar, restaurante, quadra para jogos de basquete, futebol de salão e vôlei (o clube teve um time desse esporte). Nessa quadra eram realizados bailes, serestas, Carnaval, pista de atletismo e o famoso campo de futebol. Tudo isso era considerado como patrimônio histórico bauruense. Também não deu certo e o clube foi vendido. Onde hoje é o estacionamento do Tauste era o famoso gramado pisado por Pelé; onde era a arquibancada é o mercado.

A empresa teve o bom senso de preservar a fachada do clube usando pastilhas brancas e azuis, as cores do clube e o distintivo. No alto das escadas rolantes tem fotos do BAC. São duas mostras para saudosistas. No currículo do clube consta uma vitória internacional.

O Atlanta, de Buenos Aires, veio jogar contra o São Paulo e ganhou por 1 a 0. A partida seguinte foi conta o BAC que venceu por 7 a 1. Mário Pedro (Marinho), centroavante do time azul, foi vendido para a Itália. Depois, jogou no Fluminense. Zeola, que era do Noroeste, também foi para a Itália.

Em 1962, há exatamente 60 anos, o bicampeão do mundo Pelé (Edson Arantes do Nascimento) veio a Bauru em uma segunda-feira, antecedendo a chegada do Santos que tinha jogo contra o Noroeste no domingo.

Ele esteve na agência do Banco de Crédito Real de Minas (Hercules), onde hoje é Loja CEM, para a conversar com o gerente, Milton Luz Teixeira da Silva, que era seu inquilino e morava na rua 15 de Novembro, quadra 3.

Depois, foi à casa e consultório do médico Arnaldo Temístocles Sant'Ana. A visita gerou tumulto. Sylvio Francisco Ferraz Costa, que jogou no Baquinho junto com Pelé, disse para ele que o banco tinha um time de futebol que treinava no BAC duas vezes por semana. Ele participou nos dois dias. No final do coletivo ele disse que iria para ao gol e que chutassem da linha da grande área.

Quem marcasse um gol ganharia um guaraná Caçula, refrigerante da Antarctica de 200 ml. Nos dois dias ninguém marcou porque ele defendeu todas e disse brincando que era para tomar água na torneira. Durante um dos treinos, o autor desse texto sofreu uma pancada na lateral da cabeça provocando corte e sangramento. Foi levado ao PS por Antônio Belgo. Levou pontos e foi liberado horas depois.

Chegou o domingo.

Estádio "Alfredo de Castilho" lotado. O Noroeste faz 1a 0 com muita comemoração. Final do jogo: Noroeste 1 x Santos 7, com gols dos 3 Ps, Pagão, Pelé e Pepe. O Noroeste viveu uma fase de ouro disputando a Primeira Divisão.

Em um ano, foi o quinto colocado, superado apenas pelos quatro grandes times: Palmeiras, Santos, São Paulo e Corinthians. Bons tempos.