Rio de Janeiro - Morreu na manhã deste sábado (16) o general Newton Cruz, 97, chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações) durante a ditadura militar e um dos acusados pelo atentado a bomba no Riocentro em 1981.
Ele estava internado no Hospital Central do Exército, na zona norte do Rio de Janeiro. A morte foi confirmada pelo Comando Militar do Leste.
Newton Cruz era um dos principais críticos da abertura dos arquivos do regime militar. Foi também um dos poucos generais a ser formalmente acusado por crimes cometidos durante a ditadura.
RIOCENTRO
O general foi um dos seis acusados pelo atentado a bomba no Riocentro em 1981. A ação foi tramada pela chamada linha dura do regime para causar pânico em um show pelo Dia do Trabalho que reuniu cerca de 20 mil pessoas no centro de convenções na zona oeste do Rio. O plano deu errado, e uma bomba explodiu no colo do sargento Guilherme do Rosário, que morreu no local.
O inquérito original, que correu na Justiça Militar em 1981, tentou culpar organizações de esquerda pelo episódio. A farsa foi desmontada, mas ninguém foi punido até hoje.
Cruz foi considerado pelo MPF coautor do atentado por não ter tomado atitudes para evitá-lo.
Nini, como era chamado por seus colegas de farda na época da ativa, também foi um dos principais críticos da abertura dos arquivos da ditadura militar.
"Eu acho que não se deve falar mais nisso. Vão achar papéis esparsos, se houver alguma coisa ainda, o que conduzirá a coisas erradas e a generalizações. Se aparecer alguma coisa, não vai esclarecer a história, vai confundir a história", disse ele à Folha de S.Paulo em 2004.
Cruz foi o responsável pela destruição de aproximadamente 19,4 mil documentos secretos produzidos ao longo da ditadura militar (1964-1985) pela agência.
Dentre os documentos, estavam relatórios sobre personalidades famosas, como o ex-governador do Rio Leonel Brizola (1922-2004), o arcebispo católico dom Helder Câmara (1909-1999), o poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913-1980) e o poeta João Cabral de Melo Neto (1920-1999).
Ele defendeu a destruição dos papéis em entrevista à reportagem. "Foi tudo de acordo com a lei da época. O SNI existia para assessorar o presidente da República na política do governo. É um órgão de informação, e a informação nascia de um processamento doutrinariamente resolvido. Ele cumpriu o papel dele e terminou aí", afirmou.
Em 1994, ele se candidatou para o governo do Rio de Janeiro pelo PSD. Ficou em terceiro lugar, com quase 874 mil votos (14% dos votos válidos).