10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Etanol volta a passar R$ 5, mas deve cair na próxima semana

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Após a escalada de preços das últimas semanas, o etanol voltou a ser comercializado acima da casa dos R$ 5,00 em Bauru. A cifra já havia sido alcançada em bombas da cidade no fim de 2021, mas por estabelecimentos que cobravam mais caro no combustível. Agora, os motoristas praticamente não possuem opção abaixo deste valor, já que este é preço praticado pela maioria dos postos do município. Apesar disso, a Associação dos Revendedores de Combustíveis de Bauru e Região (Arcomb) prevê que o valor do etanol deve cair na próxima semana, em razão do início da moagem de cana da nova safra, o que pode puxar para baixo também a gasolina.

Segundo o presidente da entidade, Edivaldo Tuschi, a onda do aumento de preços, registrada nos últimos 15 dias, foi causada por um atraso de aproximadamente um mês na safra da cana-de-açúcar. "A gasolina subiu demais e, como a cana não estava no ponto de corte, porque eles medem a sacarose antes, a safra acabou atrasando muito. Por isso, subiu o preço. Não tem etanol e está difícil comprar para revender", afirma, comentando que o atraso na safra fez com que uma empresa petrolífera aumentasse em até 35% o custo do etanol somente na última semana.

"O preço de custo chegou a R$ 5,00. Só não subiu mais ainda nas bombas em Bauru porque o pessoal tem segurado. Na região, o etanol tem sido revendido entre R$ 5,49 e R$ 5,50", acrescenta o presidente da Arcomb.

Em uma rápida pesquisa feita em postos de bairros distintos da cidade, a reportagem constatou preços médios de R$ 5,09 a R$ 5,29 para o etanol nas bombas. Já a gasolina é comercializada em média entre R$ 6,69 e 6,99.

QUEDA PREVISTA

Tuschi relata, no entanto, ter ficado entusiasmado após visita à usina de cana-de-açúcar de Barra Bonita, por saber que o local começou a moer o produto nesta segunda-feira (18).

"Com isso, as outras usinas começarão a moer cana também. A previsão que faço é de que, já no começo da semana que vem, os preços comecem a cair. E isso deve, automaticamente, puxar a gasolina para baixo também, porque ela leva em sua composição 27% de etanol", analisa Tuschi.

"Assim como subiu 35%, pode ser que o preço do etanol caia 35%. Mas, lógico que pode haver problemas de logística ou estoque. Também é preciso considerar que quem comprou o combustível mais caro não irá baixar o preço correndo, apesar de o contrário acontecer", completa.

EXPLICAÇÕES

A existência de etanol na composição da gasolina, inclusive, foi, segundo ele, um dos principais motivos que fizeram com que o combustível à base de petróleo não baixasse de preço, mesmo diante da queda do dólar e do valor do barril desta matéria-prima. "O dólar foi de R$ 5,00 para R$ 4,62, e o barril de petróleo caiu de US$ 100 para US$ 98, mas a gasolina não baixou por causa de sua composição que leva etanol, produto que estava escasso no mercado".

O presidente da Arcomb considera ainda que a inexistência de uma política de estocagem de cana-de-açúcar no País, por parte do governo federal, colabora para que o mercado de combustíveis oscile intensamente. "Os usineiros fazem o que querem. O governo deveria ter estoque regulador para evitar essas altas consecutivas que temos vivido", conclui Edivaldo Tuschi.