08 de julho de 2026
Ser

Sentimentos impactam - e muito - nas nossas escolhas

Sarah Alves
| Tempo de leitura: 2 min

Compreender os sentimentos e como eles impactam nossas escolhas é um dos papéis da terapia. Para muitas pessoas, o acompanhamento é visto como algo necessário apenas em momentos difíceis, mas ele pode ser uma ferramenta importante para entender comportamentos da vida, inclusive na alimentação.

Segundo a psicóloga Fabiana Escudeiro, professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, as sessões podem ser aliadas em processos de reeducação alimentar porque estimulam uma reflexão sobre a relação com a comida e caminhos para mudá-la.

"A terapia é uma aliada para qualquer tipo de mudança comportamental. Não tem perfil mais indicado para fazê-la em processos de reeducação, mas sim aquele que entende que a terapia faz parte desse processo e pode ser uma excelente auxiliar em fazer as mudanças acontecerem e se manterem ao longo do tempo."

Em alguns casos, como na obesidade e em transtornos alimentos (bulimia, anorexia e compulsão alimentar, por exemplo), a terapia é parte obrigatória do tratamento. Esses quadros demandam uma equipe multidisciplinar, geralmente com nutricionistas, psicólogos e demais profissionais conforme as especificidades de cada distúrbio. "Há evidências de que a sensibilidade à recompensa é fator de risco para ganho de peso e obesidade. Isso apoia a recomendação que os indivíduos que vivem com obesidade devem ser informados sobre fundamentos neurobiológicos do impulso para comer, e apoiados para desenvolver habilidades comportamentais de enfrentamento para gerenciar essas questões", diz a endocrinologista Sylka Rodovalho, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo.

Um dos principais objetivos da terapia é criar ferramentas para que a pessoa consiga regular as emoções sem usar recursos externos. Comer pode ser um deles, assim como o acolhimento de terceiros e o consumismo podem assumir esse papel.

"A comida geralmente é um regulador de humor, não é porque a pessoa não tem disciplina, mas porque não suporta passar um dia sem aquele recurso para se sentir bem", indica a psicóloga Andréa Pato, especialista em psicanálise pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Na obesidade e sobrepeso, por exemplo, a terapia também é indicada quando a vida do paciente é ditada pela sua autoimagem, quando sua visão sobre si impacta as relações e situações do dia a dia, explica a profissional.

"O quanto estar ou ser obeso tem relação com o que você pensa sobre você? Seu lugar nas relações, posição na família, porque emagrecer não é só questão estética", descreve Pato, também especialista em obesidade e transtornos alimentares pela Universidade de São Paulo (USP).