11 de julho de 2026
Geral

Na retomada presencial, Unesp conta história de Bauru pela arquitetura

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Para marcar a volta às aulas dos estudantes do curso de arquitetura da Unesp, após dois anos de afastamento físico provocado pela pandemia, o Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo (Daup) da universidade promoverá um evento, na próxima semana, do qual poderão participar toda a população interessada em conhecer um pouco da história de Bauru. Ao todo, serão três dias de atividades, de 27 e 29 de abril, com percursos realizados a pé, passando por prédios e espaços públicos importantes, onde arquitetos e urbanistas da Unesp e convidados irão detalhar como estas edificações se relacionam com o surgimento e expansão da cidade.

Apenas para citar alguns exemplos, será possível saber como a Praça Machado de Mello se articula com o período de expansão ferroviária e crescimento de Bauru; como a Praça Rui Barbosa representa a consolidação do regime republicano, que deu nova dimensão ao município; e como o Vitória Régia e a Nações Unidas se conectam com o processo de interiorização do País. Já no encerramento, os participantes irão se reunir para ouvir e discutir o samba, como gênero musical que tem origem na comunidade negra urbana.

"Antes da pandemia, nós fazíamos uma semana de recepção dos calouros. Agora, muitos alunos estão entrando no terceiro ano sem conhecer Bauru. Então, a intenção é apresentarmos a cidade que acolhe estes estudantes, que vêm do Estado inteiro e até de outras partes do País. Por outro lado, queremos mostrar que esta é uma cidade universitária e tentaremos estabelecer uma integração entre a comunidade acadêmica e quem já vive aqui", comenta o professor Adalberto da Silva Retto Júnior, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo do Daup.

TRAJETOS A PÉ

De acordo com ele, serão duas atividades. Denominados "A cidade como sala de aula", os percursos históricos a pé em locais como as praças Machado de Mello, Rui Barbosa, Cerejeiras, Portugal e Parque Vitória Régia serão realizados nos dias 27 e 28, das 8h30 às 11h, e no dia 29, das 17h às 18h. Os trajetos serão feitos de forma inclusiva, com tradução em libras para deficientes auditivos. "Será uma forma de transmitir conhecimento e compartilhar olhares sobre a cidade, com uma linguagem acessível, mas sem deixar de lado o rigor da informação que está sendo passada", resume.

Conforme Retto Júnior, esta ação foi criada em 2003 como disciplina optativa do curso de arquitetura e urbanismo da Unesp de Bauru e, posteriormente, tornou-se disciplina obrigatória da grade curricular. Já em 2018, fez parte do Programa de Turismo Social do Sesc. "Agora, estamos buscando viabilizar uma parceria com a Secretaria de Cultura, para articular um projeto conjunto entre universidade e a cidade", acrescenta.

GÊNERO MUSICAL

O encerramento do evento promovido pelo Daup será no dia 29, das 18h às 20h, com o projeto de extensão "Samba na cidade", que visa fortalecer o vínculo da universidade com a comunidade, a partir de saberes sobre este gênero musical. Organizada pela professora Kelly Magalhães, a atividade ocorrerá no Vitória Régia, com a presença de arquitetos, urbanistas, entre outros especialistas, além do grupo Pratas da Casa, que se apresentará ao final do evento.

"Enquanto os percursos a pé exploram as questões urbanas da cidade, o 'Samba na cidade' traz uma outra dimensão, das histórias dos excluídos, que vão sendo incorporadas às novas dinâmicas da cidade", acrescenta Retto Junior. De acordo com ele, todos os estudantes da área, inclusive de outras instituições de ensino, estão convidados a participar, bem como o público em geral.