09 de julho de 2026
Nacional

Ministério da Defesa é contra as declarações de Barroso, do STF

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou a colegas que não pretende responder a nota em que o Ministério da Defesa classificou como "irresponsável" e "ofensa grave" sua afirmação de que as Forças Armadas têm sido "orientadas" a atacar o sistema eleitoral.

Apesar disso, o magistrado disse a interlocutores que não está arrependido da declaração e que falou o que precisava ser falado neste momento do país.

A estratégia do ministro é não tratar mais do assunto por ora a fim de evitar que a tensão entre o Supremo e o governo federal seja ampliada.

O PORQUÊ

O magistrado relatou a pessoas próximas que três movimentos recentes o levaram a fazer a afirmação: a declaração do chefe do Executivo sobre o Exército ter identificado incongruências no sistema eleitoral; o fato de os questionamos das Forças Armadas sobre as urnas eletrônicas terem vazado para a imprensa; e o discurso do presidente Jair Bolsonaro (PL) na comemoração de Dia do Exército.

O primeiro foi em 11 de fevereiro, quando, em uma live transmitida nas redes sociais, o mandatário disse que o Exército havia identificado "dezenas de vulnerabilidades" no sistema de votação, sem especificar quais. Já o último foi na semana passada. Bolsonaro disse que não pode haver eleição porque "sobre ela paira o manto da suspeição".

A reação à Barroso ocorreu no último fim de semana. Em palestra no "Brazil Summit Europe 2022", evento de universidade da Alemanha, ele disse que as Forças Armadas têm sido "orientadas" a atacar o processo eleitoral para "desacreditá-lo".

No mesmo dia, o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, reagiu e disse que "repudia qualquer ilação ou insinuação".

"Afirmar que as Forças Armadas foram orientadas a atacar o sistema eleitoral, ainda mais sem a apresentação de qualquer prova ou evidência de quem orientou ou como isso aconteceu, é irresponsável e constitui-se em ofensa grave a essas instituições nacionais permanentes do Estado brasileiro", diz a nota.