As redes públicas estadual e municipal de saúde, assim como farmácias comerciais de Bauru (leia mais abaixo), têm registrado falta de diversos medicamentos, desde os mais comuns, como antigripais e xaropes contra tosse, até produtos que só podem ser vendidos com receita médica, como antibióticos e hormônios. Segundo as secretarias de Saúde, um dos principais motivos alegados pelos fornecedores é a dificuldade para aquisição de matérias-primas e importação dos insumos necessários para a produção destes fármacos.
O problema ocorre em vários estados brasileiros e foi repercutido pela imprensa nacional, que apontou entraves no fornecimento pelo Ministério da Saúde e na importação de insumos, provocados pela guerra na Ucrânia, pelo lockdown na China e por movimentos de protesto de funcionários da Receita Federal, que dificultam a liberação de produtos em portos e aeroportos.
São desajustes que também geraram alta dos preços destes insumos. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, atualmente, há escassez de oito tipos medicamentos nas unidades de atenção básica de atendimento de emergência de Bauru, geridas pela pasta.
São eles o antibiótico azitromicina suspensão; o antialérgico dexclorfeniramina solução; o enalapril 5 mg comprimido, usado no tratamento de hipertensão e insuficiência cardíaca; o antifúngico miconazol solução; o omeprazol 20 mg cápsula, que reduz a produção de ácido no estômago: a permetrina solução, que age contra parasitas, como piolhos: o anti-inflamatório prednisolona solução; e o sulfato ferroso gotas, que combate anemias.
Por meio de nota, a secretaria municipal informou que está adotando as medidas cabíveis. "Considerando o planejamento realizado pela pasta, foi aumentado o estoque a fim de suprir possíveis desabastecimentos. Contudo, persistindo a falta no mercado, poderá impactar na distribuição dos medicamentos e insumos".
Já a Secretaria de Estado da Saúde informou que os hospitais estaduais registraram dificuldades para compra de alguns itens, como soro, contraste, dipirona (para dor e febre) e ocitocina (usada em partos), devido à indisponibilidade de produtos no mercado ou preço elevado. Segundo alegação dos fornecedores à pasta, os principais problemas enfrentados são, além da falta de matéria-prima para produção, a defasagem de valores na Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMed), regulado pela Anvisa, e a incapacidade de produção para o volume demandado.
CIRURGIAS MANTIDAS
Por meio de nota, a secretaria garante que, apesar da dificuldade para aquisição, os hospitais de Base, Estadual e Maternidade Santa Isabel mantêm estoques dos itens mencionados. "Não houve interrupção na realização de cirurgias eletivas ou na continuidade de tratamentos por falta de medicamento. Cabe ressaltar que as unidades verificam frequentemente os estoques para sempre mantê-los abastecidos e evitar qualquer falta", frisa.
Já em relação à distribuição realizada por meio de farmácias de alto custo, a pasta informa que a aquisição de 134 fármacos é de responsabilidade do Ministério da Saúde. Destes, 22 estão em falta e outros 30, aproximadamente, estão com pendências de entrega ou tiveram atraso durante o primeiro trimestre deste ano. "A pasta estadual segue cobrando o governo federal e aguarda a regularização, ressaltando que o Estado apenas redistribui os medicamentos. Assim que o órgão federal realiza as entregas, as farmácias são abastecidas", completa.