Câmeras de monitoramento de um estabelecimento registraram o acidente que matou um policial militar de folga e um motociclista, na rodovia Cezário José Castilho (SP-321), a Bauru-Iacanga. A Polícia Civil teve acesso a essas imagens e, de acordo com a corporação, após análise do material, não foram encontrados indícios de que um caminhão tenha causado a colisão entre a moto e a bicicleta do PM, conforme havia sido suposto anteriormente.
O grave acidente foi registrado por volta das 18h40 da última sexta-feira (22), na altura da Vila São Paulo. Como o JC noticiou, a motocicleta conduzida por Felipe Costa Ajala, 33 anos, atingiu a bicicleta onde estava o cabo da PM Daniel Akira Shimamura, 43 anos, que transitava pelo acostamento da rodovia. Ambos não resistiram aos ferimentos e morreram. Um segundo ciclista também estava no local, mas não se machucou.
"No início, até aventaram que um caminhão teria jogado o motociclista para fora da rodovia, fazendo ele atropelar o ciclista. Mas as imagens mostram quatro motos vindo em alta velocidade, quando o motociclista sai para o acostamento, muito possivelmente para tentar ultrapassar o caminhão que vinha pela direita, e acaba colhendo o ciclista. Logo na sequência, aparecem três faróis de moto passando rápido", descreve o delegado Cledson Nascimento, da Divisão Especializada de Investigações Gerais (Deic), responsável pelas apurações do caso.
Segundo ele, as imagens, que não serão divulgadas pela corporação neste momento, indicam que os motociclistas poderiam estar disputando uma corrida clandestina no momento do acidente. "A chance de que eles estavam disputando racha é grande. Ainda mais com o histórico do local de, aos domingos, ter muita gente em cima do viaduto assistindo os rachas, segundo contaram moradores da vila", explica.
SEM SINAL DE COLISÃO
Ainda de acordo com o delegado, a perícia técnica não encontrou nenhum indício de abalroamento na motocicleta ou algo que indicasse colisão com um caminhão. Além disso, o velocímetro da moto estava travado em 120 quilômetros por hora. Isso, segundo Nascimento, aponta que, no momento do acidente, o condutor estava acima da velocidade máxima permitida no trecho, de 80 quilômetros por hora.
"Pela análise do vídeo, não aparenta que o caminhão teve algum tipo de conduta que fizesse o motociclista perder o controle ou bater. Nosso trabalho é continuar investigando para apurar o que ocorreu, mas há indícios de que a própria vítima (o motociclista) deu causa às mortes", complementa.
A princípio, o caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor, porém, se for comprovada a prática de racha, a natureza do crime pode ser alterada.
PRÓXIMO PASSO
O próximo passo do inquérito, agora, será colher o depoimento do outro ciclista que estava no acidente. "E também estamos em busca de quem seriam esses outros motociclistas para apurarmos se estavam efetivamente disputando racha naquele momento. Vale reforçar que seria importante que esses condutores se apresentassem espontaneamente na delegacia para prestar depoimento e dar suas versões sobre os fatos", pontua Cledson Nascimento.
O delegado complementa que, quem tiver imagens ou informações que possam auxiliar nas investigações, pode contatar a corporação para denúncia, com garantia de sigilo, por meio do WhatsApp (14) 99668-7751, ou ligação, pelo 197.