09 de julho de 2026
Regional

Inquérito de mulher que matou pai para proteger a filha é arquivado

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Pirajuí - A Justiça de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru) acolheu manifestação do Ministério Público (MP) e determinou arquivamento do inquérito policial instaurado para apurar a morte de um lavrador de 59 anos, em setembro do ano passado. Na ocasião, ele foi atingido por golpes de faca desferidos pela própria filha, uma estudante de 23 anos. A jovem suspeitava que o pai estava abusando sexualmente de sua filha, de 8 anos. No dia do crime, ela alegou que ele tentou estuprá-la e que o atingiu com a faca para se defender.

A Promotoria de Justiça entendeu, com base no relatório das investigações conduzidas pela Delegacia de Pirajuí, que a estudante agiu em legítima defesa na tentativa de evitar o estupro por parte do pai. Ao se manifestar pelo arquivamento do caso, o MP considerou ainda que os abusos sexuais sofridos pela criança foram confirmados durante relato em audiência de depoimento antecipado classificado como "chocante". Com o arquivamento do inquérito, a jovem não responderá pelo crime de homicídio.

RELEMBRE O CASO

Conforme divulgado pelo JC, o crime ocorreu na Vila Araújo, na madrugada de 21 de setembro de 2021. O lavrador foi encontrado por familiares já sem vida, caído no quarto de sua residência, com perfurações causadas por faca pelo corpo. Testemunhas apontaram como suspeita a filha dele, alegando que ela havia descoberto recentemente que a filha de 8 anos poderia estar sendo abusada sexualmente pelo avô.

No período da tarde, após diligências e trabalho de convencimento feito por policiais civis, a estudante procurou a delegacia, acompanhada de advogado. De acordo com a Polícia Civil, ela contou que passou a suspeitar dos abusos em relação a filha após encontrar vídeo no celular da criança onde ela aparecia nua, fazendo gestos e usando palavras com conotação sexual.

A jovem disse que questionou a filha sobre eventuais abusos praticados pelo avô. Num primeiro momento, a menina teria negado. Depois, segundo a versão da estudante, ela disse que o avô teria exibido o seu órgão sexual a ela no quarto dele e proposto que os dois mantivessem relação sexual. A jovem alegou que foi até a casa do pai e o confrontou, dizendo que sabia dos abusos.

Ela sustentou que o lavrador foi até o quarto, voltou de cueca e passou a dizer que sempre quis manter relação sexual com ela. A jovem falou que correu até a cozinha, foi seguida por ele e acabou pegando uma faca em cima da mesa com a intenção de afastá-lo, mas, como ele não recuou, a segurou pelo braço e a puxou até o quarto, acabou desferindo golpe nas costas dele.

A estudante declarou que, mesmo ferido, ele tentou segurá-la e ela acabou desferindo novo golpe, fugindo na sequência. Segundo ela, seu pai molestou uma prima quando ela tinha a mesma idade da sua filha - fato confirmado pela testemunha em depoimento. A pedido da Polícia Civil, a jovem chegou a ter a prisão temporária decretada, mas obteve a liberdade posteriormente.