11 de julho de 2026
Política

Presidenciável Felipe D'Ávila defende flexibilização da CLT e nova política

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

Inaugurando o 1º Fórum de Presidenciáveis e Pré-Candidatos ao Governo de São Paulo do Centro Oeste Paulista, realizado na sede da subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), nesta quinta-feira (28), o pré-candidato a presidente da República pelo Partido Novo, Felipe D'Ávila, que se apresenta como possível terceira via ao Governo Federal, equiparou o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) como representantes do populismo, o que, em sua opinião, coloca em risco a democracia por atacarem as instituições, enquanto defendem apenas seus próprios interesses. D'Ávila estava acompanhado do pré-candidato ao Governo do Estado Vinícius Poite (Novo).

FLEXIBILIZAR A CLT

Felipe D'Ávila se coloca como representante do liberalismo raiz, ao defender a abertura da economia, ao mesmo tempo em que acredita na necessidade do avanço da reforma trabalhista iniciada no governo de Michel Temer, e a derrubada do que chama de monopólio da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), na relação entre empregado e patrão. "Para melhorar a vida das pessoas tem que aumentar a concorrência, tudo o que aumenta a concorrência melhora a competição, com isso você tem serviços de melhor qualidade e isso beneficia toda a população. Temos que flexibilizar a lei trabalhista, abrir para outros acordos entre empregado e patrão para poder formalizar mais brasileiros", pondera.

TERCEIRA VIA

O pré-candidato defende a terceira via na disputa eleitoral, apesar de seu desempenho em pesquisas pré-eleitorais recentes o colocarem com cerca de 1% da intenção de votos. A opção não tem melhor desempenho por não haver, entre os partidos, um projeto voltado à retomada da economia. "Não há uma sincera discussão de projeto de país para fazer a economia voltar a gerar emprego e renda. É uma negociação, basicamente, política, para saber qual o apoio se tem e quantos deputados vão ser eleitos (pelos partidos). O que o povo quer saber é quando vamos retomar a economia", avalia.

O fortalecimento do caciquismo, definido por D'Ávila como o poder de decisão que os presidentes de partidos passaram a ter sobre a discussão política também ajudou a inviabilizar a terceira via.

"Temos que mostrar para a população que não podemos compactuar com a velha política que não melhora a vida das pessoas", diz

DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

Durante o evento, o pré-candidato falou sobre diversos temas ligados à economia, mas também saúde, esporte, religião, educação, avanço tecnológico, emprego e habitação, entre outros diversos.

Por exemplo, opinou que é preciso reverter os critérios dos programas de transferência de renda para que se torne mais justo e reduza a dependência dos milhões de famílias que estão na linha da miséria. "O Brasil precisa de programas sociais para fazer a transição das pessoas para fora da miséria, mas não podemos deixar as pessoas viciadas, que só vivem disso e deixam de procurar emprego. Todos os programas precisam ter dois princípios: a focalização em quem precisa e não distribuir de forma igual para todo mundo. O jovem solteiro de 20 anos recebe R$ 400 a mãe com as duas crianças recebe o mesmo valor. Está errado. E ter a porta de saída dos programas para quando as pessoas beneficiadas conseguirem um emprego formal, ao invés de perderem o auxílio, passarem a ter o benefício depositado em uma espécie de poupança", explicou.

VIOLÊNCIA CONTRA MULHER

O evento contou com a participação da presidente da OAB/Bauru, Márcia Negrisoli, que questionou D'Ávila sobre a violência contra a mulher e como ele e o partido enxergam a questão da violência por sexo e gênero.

"O Estado não pode tolerar descriminação de gênero, raça ou sexo. E isso é muito grave no Brasil de hoje. O lado bom é que a geração recente está cobrando isso das sociedade e das instituições. Quando a sociedade compra uma pauta, aí o Estado não tem que se meter. Se o consumidor não comprar um produto porque a empresa não respeita o meio ambiente ou a diversidade de gênero é a melhor punição que pode haver. Não vejo uma alternativa de longo prazo melhor do que a sociedade se indignando com essas desigualdades", concluiu.