10 de julho de 2026
Política

Dilema da 3ª via e polarização foram temas do Café com Política de ontem

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 4 min

Faltando cinco meses para as eleições, quase nada está perfeitamente consolidado no cenário político pré-eleitoral. Mudanças ocorrem a todo momento e seguirão acontecendo pelo menos até julho, mês das convenções que definirão a chapas de candidatos. O jogo está em aberto até que os nomes dos candidatos majoritários sejam definidos. Como nesta semana, em que o União Brasil já deixa evidente que deve deixar os acordos com MDB e PSDB pela terceira via para, em tese, lançar, candidatos próprios - Luciano Bivar e Moro. Mas, no fundo, conforme análise dos integrantes do Café com Política, o fato mais palpável é que o União Brasil deve liberar seus deputados e senadores para apoiar quem eles quiserem.

O aparente fim da terceira via, em parte causada por altercações políticas como esta, e a sólida polarização da disputa, reforçada pelo crescimento da pré-candidatura de Bolsonaro nos índices de intenção de voto, foram dois dos principais temas debatidos no programa desta sexta-feira (29), que vai ao pela 96FM e pelos canais da rádio e do JC nas redes sociais (Facebook e Youtube) e JCNET.

Ricardo Bizarra, Reinaldo Cafeo, João Jabbour e Kleber Santos receberam nos estúdios do Café o professor Carlos Alberto Rufatto, graduado em Sociologia, mestrado em Filosofia (ambos pela Unicamp) e doutorado em Educação (pela Unesp).

TERCEIRA VIA ENFRAQUECIDA

Kleber Santos, especialista em marketing político e comunicação eleitoral, afirma que a dobradinha Luciano Bivar e Sérgio Moro não deve ocorrer e trata-se apenas de uma cortina de fumaça para outros possíveis acordos. A maior parte dos candidatos e militantes do partido, aliás, estariam liberados, segundo seu entendimento, para apoiar Bolsonaro, já que têm os que querem estar com Bolsonaro e uma ala, minoritária, que quer ir com Lula.

O convidado do programa, Carlos Alberto Rufatto, avaliou que o processo eleitoral é prejudicado pela falta de propostas e planos de governo e que a falta do debate direto sobre os principais temas também tem afetado o crescimento de outras candidaturas, que abririam o leque de opções ao eleitor e à democracia. "Os candidatos da terceira via pecam muito por isso, primeiro pela falta de acordo entre eles, e pela falta de clareza das propostas. As pessoas poderiam se vincular e ter mais interesse por uma proposta fora dos dois polos, se houvesse clareza", afirmou.

O economista e jornalista Reinaldo Cafeo e o diretor de jornalismo do Jornal da Cidade/JCNET, João Jabbour, ponderaram sobre a importância da imprensa neste cenário confuso e de controle excessivo dos partidos e candidatos sobre o processo político e eleitoral como um meio para que outros nomes e novas propostas também sejam conhecidos. "O papel da imprensa é fundamental, já que, por vezes, as propostas não vêm", afirmou Cafeo.

Ao que Jabbour acrescentou sobre a função dos jornalistas de mediar. "O papel da imprensa neste processo eleitoral e em outros momentos da vida nacional tem o significado grande de tentar trazer a discussão para as propostas. Para ele, a polarização Lula/Bolsonaro parece se consolidar e vai perpassar a eleição, em um processo que teve início na eleição de 2018.

O jornalista e apresentador do programa, Ricardo Bizarra, propôs a análise sobre a possibilidade de fortalecimento de um nome opcional, apesar do cenário desfavorável. O ex-governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e a senadora Simone Tebet (MDB) foram os dois apontados como possibilidades, mas o convidado do programa Carlos Alberto, destacou que Doria já se mostra enfraquecido. "Ele tem uma rejeição muito grande em São Paulo e é pouco conhecido no Brasil", ponderou. Enquanto isso, Simone Tebet não consegue aglutinar nem desperta entusiasmo fora de seu próprio partido e nas pesquisas de intenção de voto.

POLARIZAÇÃO

Considerando pesquisa Modalmais/Futura, publicada anteontem, que mostra aumento da intenção de voto em Bolsonaro (empate técnico na forma espontânea da consulta), Cafeo opinou que este cenário começou a surgir com a saída de Sérgio Moro da disputa eleitoral, enquanto João Jabbour avaliou, por outro lado, baseado no que ocorre nos bastidores petistas, que a estagnação do ex-presidente Lula nas intenções de voto se deve, entre outros, à insistência em debater temas pontuais e periféricos e não resgatar seus feitos em mandatos anteriores, que os mais pragmáticos entendem ser fundamental nesta eleição.

Ricardo Bizarra questionou se o caso envolvendo o deputado Daniel Silveira (PTB), na semana passada, teria influenciado de alguma forma a mudança de desempenho dos dois principais candidatos. Carlos Alberto Rufatto avaliou que apenas reforçou o voto do eleitor que já o escolheu.

Ainda sobre a pesquisa Modalmais, Kleber Santos chamou a atenção para o aumento dos indecisos, que teriam passado de 4,2% para 18,3%, o que revelaria um grande desafio das estratégias das campanhas. "Muita gente que era Bolsonaro foi para Moro, não teve a terceira via (com sua saída) e voltou para indeciso. Neste momento, a eleição está nas mãos dos indecisos", afirmou.

A polarização, na opinião de Rufatto, torna o debate sobre a eleição mais superficial, enquanto os candidatos que poderiam equilibrar a disputa e alargar o espectro propositivo continuam com baixo desempenho. A queda de Lula, em sua opinião, ocorre também pela falta de foco em questões práticas, como o desemprego. Enquanto para Kleber, o crescimento de Bolsonaro ocorre, principalmente, pelos benefícios dados à população mais carente, neste momento.

A diferença de desempenho nos meios digitais entre Bolsonaro e Lula, com o atual presidente e seu grupo se mostrando bem mais preparado, foi uma unanimidade entre os participantes do programa.