11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Aumenta procura por crédito para conseguir fechar as contas do mês

Tisa Moraes Isabele Scavassa (estágio sob supervisão)
| Tempo de leitura: 3 min

A busca dos consumidores brasileiros por crédito teve alta de 26,5% em março de 2022, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Os dados são do Indicador de Demanda por Crédito da Serasa Experian e mostram que, na região Sudeste, o aumento foi de 25,2%, índice que, segundo a instituição, também representa a realidade de Bauru.

Conforme o levantamento, a elevação ocorreu de forma generalizada, em todas as regiões do País e em todas as faixas de renda. As pessoas que recebem até R$ 500,00 mensais, contudo, mais penalizadas pela alta do custo de vida, foram as que mais demandaram recursos financeiros, com busca ampliada em 30,9% em 12 meses (confira o quadro abaixo).

De acordo com o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, este fenômeno representa uma mudança no perfil de busca por crédito, evidenciando que o recurso vem sendo usado com maior frequência para socorrer famílias em situação de emergência financeira, e não para a aquisição de bens de valor mais elevado.

"O crédito não é apenas uma ferramenta para financiar projetos maiores, como imóveis ou veículos. Há, inclusive, uma queda na concessão de crédito dentro destas linhas de longo prazo, para formação de patrimônio. Hoje, as pessoas, especialmente as de renda mais baixa, tendem a utilizar o recurso financeiro para custear itens básicos e conseguir fechar as contas no final do mês", explica.

Rabi considera que a alta expressiva na busca de crédito no País em um ano, de 26,5%, tem relativa influência da pandemia da Covid-19, já que, em março de 2021, as atividades comerciais e o nível de consumo eram menores do que agora.

O reflexo deste panorama ocorre até porque o crédito considerado pela Serasa não corresponde apenas a financiamentos, mas também ao crediário oferecido pelo varejo, por meio de carnês.

INFLAÇÃO

Porém, na comparação entre fevereiro e março deste ano, a elevação foi de 11%, demonstrando que o crescimento da procura por crédito é uma realidade posta, diante da perda do poder de compra dos cidadãos provocada pela alta generalizada de produtos como alimentos, combustíveis, energia elétrica, entre outros. E, justamente por esta mudança de perfil - de captação de recursos para sobrevivência das famílias de menor renda -, não há o que se comemorar com este fenômeno.

"Desde a segunda metade do ano passado, temos observado um aumento mais acentuado da concessão de algumas linhas mais emergenciais, de curto prazo, como crédito pessoal, que não o consignado, o rotativo do cartão e o cheque especial, que pessoas físicas utilizam para tentar esticar a renda até o fim do mês. Não é um crescimento saudável. A inflação está batendo muito forte no bolso de milhões de brasileiros", acrescenta o economista.

Para piorar, a Selic, que influencia todas as taxas de financiamentos, saltou de 2,75% para 11,75% nos últimos 12 meses, acumulados até março, visando justamente o controle da inflação. E, como a alta foi expressiva, as taxas do mercado também aumentaram, ainda que não na mesma proporção.

"Apesar da alta da Selic, a busca por estas linhas emergenciais, para atendimento de necessidades básicas, ainda deve prevalecer no País, pelo menos, até a metade do ano, dependendo de como a inflação se comportar", completa Luiz Rabi.