09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O avanço de Botucatu na escola

Joaquim Eliseo Mendes - Professor e membro efetivo da ABL
| Tempo de leitura: 3 min

Segundo edição do JC publicada recentemente, o Município de Botucatu, tendo em vista a aprovação do Projeto de Lei pela Câmara Municipal que permite ampliar o número de servidores, contratará mediante a realização de concurso público de provas e títulos, psicólogos e assistentes sociais para atuarem direta e exclusivamente em onze escolas de tempo integral da rede. Tal medida "visa melhorar o processo de aprendizagem impactado pela pandemia"...potencializar o processo de ensino aprendizagem dos alunos da rede e apoiá-los em suas reais necessidades" segundo declaração do prefeito Mário Pardini.

Essa medida vem ao encontro de tese que venho defendendo ha mais de três décadas, da coexistência deste tripé: professor, assistente social e psicólogo na escola em uma atuação interna, extra classe , comunitária e familiar. A bem da verdade os problemas psicológicos emocionais e comportamentais de alunos não são atuais ou recentes causados pela pandemia que dividiu o tempo do homem em "antes" e "depois" mas sempre existiram interferindo no abnegado trabalho do professor. Santo Agostinho em seu livro "Confissões" cita a rebeldia de certos alunos nas classes em que foi professor atrapalhando os demais. Interessante ressaltar que quando eu atuava na rede estadual como diretor de escola, inspetor e por fim como diretor regional de ensino, não senti esses graves problemas emocionais e de comportamento dos alunos porque o mundo era outro; atualmente eles vem criando uma situação prejudicial na classe caracterizando dois tipos de alunos: "os que querem e os que não querem aprender" prejudicando os primeiros com a provocação de tumultos, insegurança e são justamente aqueles que infelizmente agridem o professor.. Vim compreender e defender a necessidade do assistente social e do psicólogo na escola depois que me aposentei, observando e acompanhando - a de longe, por acontecimentos passados e atuais amplamente divulgados, não somente em nosso pais como nas escolas de outros. Não pode e não cabe ao o professor resolvê-los mas sim indicar, encaminhar e acompanhá-los porque necessitam de profissionais especializados que podem, obviamente não equacionar os problemas mas minimizá-los. O importante é que esses profissionais sejam lotados na escolas, relacionando-se com os alunos e professores, vendo e sentindo também os problemas de perto; e que não fiquem longe, vindo à escolas em dias e horários prefixados. O município de Botucatu está sendo o pioneiro em nosso estado e no país na admissão desses profissionais para atuarem em escolas públicas. Os ganhadores são, de imediato os alunos, professores, administração, família e a comunidade; a curto e a médio prazo a qualidade e o nível do ensino.

Tenho conhecimento de escolas particulares localizadas em capitais e que cobram altíssimas mensalidades em que também onde os problemas emocionais apresentados pela clientela e que talvez sejam minorados pela própria seleção econômica, já possuem psicólogo que detecta e orienta os pais, mas não assistente social. Portanto a cidade de Botucatu abre novos horizontes na educação que certa e necessariamente serão, a médio e longo prazo, seguidos pelos estados e municípios do Brasil. A pandemia está em declínio graças às vacinas, máscaras e cuidados adotados pelo homem, mas será que haverá diminuição dos problemas da mente humana tendo em vista a avalanche das más notícias, informações e tragédias que recebemos e vemos continuamente através dos eficientíssimos meios de comunicação que apenas criam mas não os minimizam ou resolvem? Parabéns Botucatu pelo pioneirismo na educação e pelo seu 167º Aniversário festejado no dia 14 deste. Tenho laços com essa urbe porque aí residiram queridos parentes e onde atualmente tenho preciosos amigos.