11 de julho de 2026
Política

Denúncia contra Gasparini faz 1 ano hoje e ação está em fase final de oitivas

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Completa um ano, nesta terça-feira (3), a denúncia feita à Justiça daquele que pode ser um dos maiores escândalos de corrupção da história de Bauru. Nesta data, em 2021, a apuração da Operação João de Barro, deflagrada em 2019 para investigar o desfalque de quase R$ 55 milhões na Cohab, transformava-se em ação penal. Apontado como líder do esquema, Edison Bastos Gasparini Jr., ex-presidente da companhia, e mais quatro pessoas ligadas à empresa foram acusados de peculato e formação de organização criminosa pelo Gaeco, órgão do Ministério Público (MP) Estadual. Atualmente, o processo está em fase final de oitivas das testemunhas de defesa de Gasparini.

Esta etapa é importante porque é quando será confirmado ou não à Justiça tudo o que já foi dito ou constatado no cerne das apurações. Segundo o JC levantou, a maioria das testemunhas arroladas e que ainda não foram ouvidas morariam fora de Bauru, o que tem dificultado o término da fase atual.

A expectativa, contudo, é de que a próxima etapa, de interrogatório, ocorra ainda no início do segundo semestre deste ano. Frente a frente com o juiz da 4.ª Vara Criminal, cada um dos réus será indagado sobre as acusações e terá direito à autodefesa.

VIAGEM 'FANTASMA'

No transcorrer da ação criminal, fatos curiosos vieram à tona, como a descoberta de uma viagem "fantasma" que teria sido feita por Gasparini e duas funcionárias, com destino a Bruxelas (Bélgica), em 2012, para um fórum internacional de habitação. Esse evento, porém, jamais teria ocorrido. A denúncia gerou uma ação civil pública paralela, que apura improbidade administrativa e falsificação, já que um caderno de ponto da Cohab teria sido assinado por uma das acusadas em datas da viagem.

Em abril deste ano, outro fato ganhou repercussão. Cerca de 100 cabeças de gado que vivem em terras arrendadas pela família de Gasparini, em Avaí, viraram alvo de denúncia de maus-tratos feita na Polícia Civil por uma ONG. Na queixa, a entidade aponta que o rebanho seria bem semovente sequestrado em decorrência da ação penal e que ficou sob a tutela de um administrador judicial, que, até hoje, não se pronunciou ao JC sobre a denúncia.

Ocorre que as mesmas cabeças de gado já possuem decisão favorável da Justiça para serem vendidas antecipadamente em leilão, assim como as sacas de café que seriam de propriedade de Gasparini e foram sequestradas na mesma época. A ação está em fase de execução e o dinheiro decorrente da venda deve ser depositado em juízo.

Paralelamente à ação penal contra o ex-presidente da Cohab, existe uma investigação de lavagem de capitais envolvendo a esposa, filha e a sogra de Gasparini e um ex-diretor administrativo e financeiro da companhia.

EVOLUÇÃO PATRIMONIAL

Conforme o JC noticiou, os bens sequestrados da família não atingem os R$ 54,8 milhões que teriam sido desviados da Cohab. No entanto, eles demonstrariam a evolução patrimonial desproporcional de Gasparini e seu núcleo familiar mais próximo, entre os anos de 2008 a 2018.

Em meio às aquisições feitas no período e que seriam incompatíveis com a renda do ex-presidente da companhia, que era de pouco mais de R$ 10 mil mensais nos últimos anos de gestão, estão bens como cerca de 15 imóveis, oito veículos e oito empresas abertas, a maioria do segmento agropecuário.

O ano que mais chamou a atenção foi o de 2012, quando seis imóveis foram adquiridos, com valor de mercado total de R$ 2,5 milhões.

Ainda na ação penal, constam cerca de 40 viagens internacionais feitas por ele, sua família, funcionários da Cohab e até por figuras políticas. Mensagens de texto apontam como a vida de luxo seria mantida.

FLAGRANTE

Em dezembro de 2019, quando a Operação João de Barro foi deflagrada, R$ 1,6 milhão em notas de real, 30 mil em dólar norte-americano, além de valores menores em libras esterlinas e euro foram apreendidos em imóveis de Gasparini, que teve prisão solicitada na época da denúncia à Justiça, mas o pedido foi indeferido.

Com mais de 540 páginas, a ação penal descreve, do ponto de vista das investigações, como os supostos desvios aconteceriam, na "boca do caixa", e com a justificativa de pagamento com desconto de um seguro habitacional.

A defesa de Gasparini Jr. sustenta a tese de que a ação penal é de natureza política e tem viés pessoal.