Boas lembranças trouxe Ruy Castro em crônica de um mês atrás (28/3), na Folha de S. Paulo, quando fez um "réquiem para o telefone". E pensar que pagamos pela expansão telefônica nos anos 1990 e estava tudo pronto para todos terem uma linha, quando Fernando Henrique Cardoso resolveu privatizar o sistema e fazer-nos crer que as empresas é que conseguiram o feito da universalização da comunicação. Puro engodo de transformar o público em privado da noite para o dia. E ainda há os que o enaltecem por isso, talvez os mesmos que mitificam o atual 'despresidente'.
Em outro texto, um pouco mais antigo, eivado de sofismas, Josué Gomes da Silva e Cesar Asfor Rocha mostraram uma nova cara pretendida para a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), crendo que a indústria deva fomentar novas ideias.
A diminuição de litígios trabalhistas é tomada no texto como avanço da reforma, mas apenas reflete que houve forte retração do acesso à justiça por parte do trabalhador, por diminuição da proteção legal com contratos precários, terceirização e coibição da sindicalização. O risco, nesse caso, ficou com o trabalhador. Os lucros continuam com quem já sabemos.
Quanto à inovação, que parecia ser assunto não jurídico a ser tratado naquele texto, uma vez que falava de ideias, ficamos sem saber se a indústria paulista continuará no papel de colônia, apenas copiando o que vem de fora, comprando tudo pronto, corroborando o fato de que o empresário brasileiro nunca investiu em ciência, tecnologia e inovação. Fica sempre à espera dos investimentos e benesses governamentais, pois não tem a cultura do risco inventivo.
Com o perdão do trocadilho, o poder econômico é econômico em poder utilizar o potencial local.
O autor é pesquisador da Unesp em Rio Claro.