10 de julho de 2026
Geral

Doenças respiratórias e casos de dengue pressionam UPAs e população reclama

Vitor Oshiro e Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

A rede pública de saúde de Bauru já sente os impactos das doenças respiratórias nesta época do ano, principalmente em crianças. A população tem se queixado de UPAs lotadas e com uma espera de horas por atendimento. O crescimento de casos de dengue também tem colaborado para a sobrecarga. A esperança é que a pediatria nas UBSs (leia mais ao lado), medida que começa a funcionar nesta quinta-feira (5), traga um alívio a esse cenário.

Para se ter uma ideia, só na terça (3), foram atendidos, em todas as unidades de saúde, 501 casos com queixa respiratória e 116 de suspeita de dengue, tanto de adultos quanto de crianças.

Neste dia, inclusive, o JC recebeu diversas reclamações de demora nas UPAs. Na do Geisel/Redentor, um fato pontual ainda aumentou o atraso. De acordo com a prefeitura, além da grande demanda, a espera nesta unidade foi alongada por conta do atendimento a uma criança vítima de atropelamento e que teve traumatismo craniano grave. "Precisou dos esforços de toda a equipe para salvar a vida da criança, o que gerou atraso no atendimento infantil", diz o município.

Na escala, havia três clínicos e dois pediatras, que atenderam 362 pacientes (157 crianças). Taciana Santos de Diodino, de 34 anos, era uma das pessoas que estavam na unidade naquele dia aguardando por avaliação médica para a filha, de 7 anos, que apresentava dor forte no peito e tosse. "Fiquei com ela por mais de três horas aguardando, mas, quando deu 21h, não pude esperar mais. Havia muitos pais revoltados. Tinha criança com febre alta, vomitando, passando fome, há horas aguardando", relata a auxiliar de limpeza.

UPA BELA VISTA

Outra unidade alvo de reclamações foi a UPA Bela Vista. Por lá, anteontem (3), quatro clínicos e três pediatras atenderam 500 pacientes (195 crianças). A escala completa, contudo, não evitou as demoras e as queixas. Na tarde desta quarta-feira (4), o JC foi até a unidade e constatou novamente o problema: pessoas aguardavam há cerca de quatro horas por consulta no local.

A operadora de telemarketing Taciany Garrido, de 22 anos, não poupou as críticas. Ela conta que tem ido com frequência à UPA em busca de atendimento para a filha, de 1 ano e 2 meses, que está com bastante tosse e secreção há cerca de um mês, e precisou aguardar de cinco a seis horas todas as vezes. "Hoje (ontem), voltei porque ela teve sangramento no nariz. Só que estou esperando o médico chamar há quatro horas e ninguém dá satisfação sobre a demora. Ela já está cansada, com fome, e eu nem sei quanto tempo teremos que esperar ainda", relata a mãe.

UPA IPIRANGA

Situação semelhante foi encontrada na UPA Ipiranga ainda ontem à tarde. No local, a reportagem do JC se deparou até com um paciente dormindo em um banco enquanto aguardava ser chamado pelo médico. Quem também permaneceu bastante tempo na unidade foi a aposentada Conceição Silveira, de 65 anos, que acompanhava uma amiga que estava com os pés inchados. "Estamos aqui há, pelo menos, três horas. Tem gente que disse estar esperando há seis horas. Demora tanto que a gente precisa tirar o dia para vir ao médico. Tem que ir sem pressa para voltar para casa", critica.

Por nota, a prefeitura disse que monitora diariamente tanto as doenças respiratórias quanto os casos de dengue. Também lembra que Bauru possui cinco UBSs para atendimento de demanda espontânea em horário estendido, de segunda a sexta, das 17h às 23h, e aos sábados, das 7h as 19h. São elas as unidades do Centro, Bela Vista, Vila Falcão, Geisel e Chapadão/Mendonça.