11 de julho de 2026
Política

Novos poços e interligações reduzirão uso do Rio Batalha para 30%, diz DAE

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 4 min

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru projeta que a partir do mês de setembro a cidade não tenha mais problemas de desabastecimento de água, mesmo durante o período de maior escassez do ano, quando as regiões atendidas pelo sistema do Rio Batalha, historicamente, sofrem com a falta de água. A afirmação foi feita pelo presidente do DAE, Marco Saraiva, durante a reunião da Comissão de Meio Ambiente, Higiene, Saúde e Previdência da Câmara, nesta quarta-feira (4). Ele afirmou que a dependência da cidade em relação à captação do Batalha cairá para um índice de cerca de 30%. Atualmente, estima-se que o Batalha abasteça de 35% a 40% da cidade.

A reunião de trabalho da comissão foi presidida pelo vereador Eduardo Borgo (Brasil 35), que convidou o presidente do DAE para discutir as ações realizadas para combater a crise hídrica no município.

AUMENTO DE CAPTAÇÃO

O presidente do DAE explicou que a expectativa de que ainda este ano os problemas com desabastecimento sejam reduzidos de forma significativa são asseguradas por ações que vêm sendo adotadas desde que assumiu a autarquia. "Não vejo nenhum impedimento que possa fazer com que a gente não cumpra o que está aqui. Estamos com a licitação de dois poços para a semana que vem. A redução (da dependência) é motivada pela abertura de poços e ligação de adutoras, que reconduziram de onde sobrava e levaram (água) para o sistema Batalha", afirmou.

Para o que está aqui, Saraiva se referia à previsão de que a retirada de água do Rio Batalha, no final de setembro, seja de 201,5 litros por segundo, volume menor do que foi retirado no período de seca do ano passado, quando o DAE chegou a retirar do rio 240 litros de água por segundo para serem distribuídos em sistema de rodízio de três dias para cada região. "Se você me pergunta se estou garantindo que este ano não vai faltar água, estou dizendo que pelas análises feitas até agora, do que a gente vinha consumindo e o que se pretende consumir, sim, a gente fica sem falta de água", disse.

Hoje, segundo Saraiva, a captação do Rio Batalha caiu de 530 para uma média de 430 litros por segundo. E pode ser menor, de acordo com ele, considerando que alguns poços já concluídos, como o da Praça Portugal, ainda não estão em sua capacidade total.

CÁLCULOS

A conta feita pelo presidente contabiliza o volume de água que passou a ser produzido pelos poços desde o ano passado mais o que será captado pelos poços que serão construídos. "Se acontecer exatamente o que está previsto, vamos ter uma tomada de 258,5 litros por segundo de captação, somada com a (captação) do ano passado, vamos para 328 litros por segundo. Passaríamos a depender do Batalha apenas em 201,5 litros por segundo. Isso de acordo com o que está sendo captado mais os poços que vão ser licitados. Desde o primeiro poço até agora devemos chegar a 328 litros por segundo a mais de injeção, o que vai nos dar 76% a mais de água do que o ano passado", explicou.

Os cálculos e a boa expectativa de Saraiva consideram diversas ações realizadas e a serem desenvolvidas, conforme expôs durante a reunião, entre elas, a abertura de um trecho do Batalha acima da captação, que estava tomado pelo assoreamento; setorização já concluída da região do Jardim Bela Vista, e a setorização em andamento dos bairros Vila Dutra, Santa Cândida, Leão XIII, Falcão, Alto Paraiso e Vila Pacífico; construção do reservatório elevado da Vila Dutra e a realização do termo de referência para construção de um novo reservatório de 2 mil metros cúbicos ao lado da ETA.

Sua expectativa é de que em setembro, no pico do período de escassez, caso haja desabastecimento, não se aproxime da gravidade do ano passado. "É claro que se vier uma seca expressiva, nada do que a gente está esperando, possa vir a faltar, mas nada parecido com o que sofremos no ano passado, nada mesmo", ponderou.

A captação de águas subterrâneas é uma solução prevista no Plano Diretor de Água para solução do problema de desabastecimento em curto prazo, enquanto a captação complementar, com o incremento de águas superficiais, é de médio e longo prazos por serem obras mais demoradas com orçamentos mais caros, segundo Marco Saraiva.