11 de julho de 2026
Política

Em 5 anos, volume de lixo reciclável coletado pela Emdurb despenca 65%

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

O volume de lixo reciclável recolhido pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) está em queda há anos. Os números do primeiro quadrimestre de 2022, por exemplo, são os menores em pelo menos cinco anos. Se em 2018 foram coletadas 649,48 toneladas, neste ano o montante não ultrapassou 228,23 toneladas, ou seja, 65% inferior ou quase três vezes menor. Além de ser prejudicial ao meio ambiente, o cenário de franca piora afeta diretamente a vida de integrantes de cooperativas, que dependem da venda destes materiais para ter um salário no fim do mês.

E o futuro para estes trabalhadores é incerto, pois não há no horizonte perspectiva de grandes mudanças. Além de uma campanha de incentivo à separação e destinação corretas dos materiais, não estão previstas, nos próximos meses, outras ações que possam mudar essa realidade. Vai até dezembro o contrato para esse tipo de coleta entre a prefeitura e Emdurb.

Ainda segundo dados da empresa, quando a avaliação leva em conta o ano fechado, os números também são drásticos e apontam para percentuais semelhantes: em 2018 foram recolhidas 1.768,32 toneladas passando a menos da metade no ano passado: 819,27 toneladas.

AGRAVANTE

Vários aspectos são apontados pelo diretor de limpeza pública da Emdurb, Fabiano de Almeida Serpa, para explicar o declínio. Ele cita como as principais causas a pandemia e o aumento da inflação, que provocaram redução do consumo. A análise dele contempla ainda a baixa qualidade da separação e a falta de destinação correta dos materiais pela população, agravante considerado histórico e que até agora não foi corrigido. Pontua, por fim, a circulação de catadores autônomos que recolhem o material depositado antes dos caminhões da Emdurb.

"O reflexo da pandemia não foi 2020: gerou muito desemprego em 2021. Percebemos que o número de desempregados aumentou e eles se transformaram em catadores. A rota dos nossos caminhões de coleta é publicada no site da Emdurb, para que o morador saiba o dia da semana que o caminhão vai passar. Estes catadores se antecipam aos nossos caminhões e recolhem o material. Depois vendem e fazem isso fonte de renda e sustento da família", comenta.

MINORIA

Além da busca desse material por pessoas desempregadas não ligadas às cooperativas, Serpa reitera as falhas por parte da população na separação e no descarte dos recicláveis. A constatação dele está baseada na grande quantidade de resíduos sólidos misturado ao lixo orgânico. "Fazendo esta análise, entendo que uma minoria da população tem consciência em fazer o descarte seletivo. Muita gente não quer se dar ao trabalho, não quer levar aos ecopontos e separar o seu lixo para colocar no dia da coleta. Joga fora tudo misturado", lamenta.

Esta constatação levou, segundo o diretor, a uma reunião realizada há algumas semanas com representantes das cooperativas de catadores para começar a elaborar uma campanha de conscientização ambiental e social. "A gente está planejando para breve essa campanha para que as pessoas possam fazer melhor a separação do lixo", afirmou.

MILAGRE

No ano passado, a prefeitura rompeu contrato com a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Bauru (Ascam), que administrava os ecopontos reunindo as cooperativas da cidade. Em dezembro de 2021, foi firmado contrato entre a prefeitura e a Emdurb, válido por um ano, passando a gestão dos ecopontos para a empresa pública.

O material reunido nestes locais de descarte e o recolhido pelos caminhões, no chamado porta a porta, é retirado pelas cooperativas da cidade, de forma escalonada para cada dia da semana. Em queda, ele tem mantido aberta, por exemplo, a Cooperativa de Recicladores de Resíduos de Bauru (Cooperbau), o que, às vezes, parece um milagre, segundo sua presidente, Sílvia Martarelli Ferreira.

A Cooperbau possui 12 cooperados, que recebem um salário mínimo por mês, mais vale-refeição e têm todos os direitos trabalhistas garantidos. A entidade ainda paga aluguel de R$ 5 mil mensais. "Às vezes eu nem sei como consigo. Só por Deus mesmo. A gente tem que fazer milagre", destaca.

Ela confirma as dificuldades dos últimos anos, principalmente em 2021. A Cooperbau já chegou a ter 23 cooperados. Hoje, como o material diminui muito, algumas vezes, ela faz a coleta direto de casa em casa.