Dizem que ser mãe é professar a forma de amor humano mais incondicional que existe. Mas a maternidade, cercada por delícias, também tem suas dores. E entre as mais contundentes é ter um filho diagnosticado com uma doença grave, como um câncer, por exemplo. Além de mudar completamente a vida em família, a enfermidade transforma essas mulheres, que normalmente já galgavam um espaço ímpar, em uma espécie de super-heroínas: elas encontram forças até então inimagináveis para seguirem como porto-seguro e fonte de otimismo.
A missão não é fácil. São pessoas que deixam completamente de lado sua rotina e sonhos, largam emprego e até abdicam do tempo com outros "herdeiros" para se dedicarem ao tratamento. Em nome dessas protagonistas, o JC homenageia todas as genitoras neste domingo (8), Dia das Mães.
Em agosto de 2021, a pedagoga Daiane Vieira dos Santos, 36 anos, viu sua vida virar de ponta-cabeça, quando a filha mais velha, Alana, que sentia muitas dores abominais foi diagnosticada com um câncer no pâncreas e metástase. Na época, Daiane estava com um bebê de poucos meses e tinha ainda outra criança, de 3 anos, além da adolescente. Moradora do Pousada da Esperança 1, ela conta ter abdicado, na mesma semana do diagnóstico, do sonho de ser empreendedora. E, pouco tempo depois, da amamentação do filho mais novo. Tudo para conseguir se dedicar ao tratamento de Alana.
A quimioterapia da adolescente teve início ainda em agosto. Os primeiros resultados, contudo, indicaram a falta de reação do organismo, já que os tumores continuaram crescendo. E um segundo tratamento foi proposto, com ajuda de médicos dos Estados Unidos. No entanto, também transcorreu sem resultados.
Em janeiro deste ano, o caso de Alana passou a ser tratado pela equipe médica como cuidado paliativo. "Perdi o chão três vezes, quando descobrimos a doença e, depois, quando soubemos que os dois tratamentos possíveis não surtiram resultados. Mas, ela é nosso milagre e acreditamos que Deus tudo pode. Em março, ela foi internada e os médicos achavam que ela não teria alta, mas aconteceu e ela está em casa", afirma Daiane com tom de alívio. Ela conta que pensa e age 24 horas por dia pela filha.
"Faço até o impossível para que ela fique bem. Se eu pudesse, tiraria essa enfermidade dela com a minha própria vida. Eu larguei tudo e sobrevivo à base de calmante, mas sei que não posso cair, por ela e pelas minhas duas outras crianças também. Então, o que eu tenho feito é viver cada momento, realizando o que eu puder", completa. Neste contexto, a família tem enfrentado ainda outra saga: a financeira. Isso porque, a renda apenas do marido, de um salário mínimo, tem sido insuficiente para manter a casa. Para prover lazer e desejos de Alana, eles têm contado com a ajuda de familiares e correntes de amigos.
'AGUENTEI FIRME'
Outra super-heroína, Graziele Morabito, 28 anos, moradora do Jardim Tangarás, também abdicou do tempo com a filha, de 4 anos, e do emprego como vendedora para cuidar do mais velho, Gustavo, de 13 anos, diagnosticado com leucemia, em janeiro do ano passado.
"Ele teve febre e fraqueza por mais de 20 dias e os médicos achavam que era por conta da Covid-19 que ele teve, mas o hemograma deu bem alterado e foi aí que descobriram. Meu mundo desabou quando o diagnóstico foi dado, mas aguentei firme para dar forças a ele", conta Graziele.
A última etapa da quimioterapia no hospital ocorreu na data do aniversário de Graziele, 3 de agosto, no ano passado. Na ocasião, o garoto teve uma intoxicação, que resultou em uma pneumonia e uma cirurgia de urgência foi necessária. "Ele ficou na UTI. Foram os piores dias da minha vida, era desesperador, uma sensação de impotência. Mas Deus foi bom demais e ele melhorou. Quando eu me vi, estava há três dias sem me alimentar e sem banho", relata a mãe.
Depois do susto, Gustavo teve alta. E, hoje, ele segue a última etapa do tratamento, a quimioterapia oral. Na semana passada, o garoto foi liberado para voltar para a escola, e, aos poucos, a vida da família tem voltado para a rotina.
"Depois de tudo o que vivemos, eu percebi o como o tempo é precioso e que o dinheiro não é tudo. Antes, eu trabalhava das 9h às 22h. Agora, eu não abro mão de passar meu tempo com eles, quero vê-los crescer, mesmo que a nossa renda diminua um pouco", avalia Graziele.
ALÍVIO
Esse Dia das Mães terá um sentido especial para Viviane Crivellaro, 51 anos, mãe de Luiz Henrique, de 9 anos, moradores da Vila Altinópolis. Isso porque, nos últimos dias, a médica do garoto solicitou o procedimento para a retirada do cateter no peito, última marca dos intensos tratamentos que ele passou desde quando foi diagnosticado com leucemia, em maio de 2018.
"Até termos a notícia final da cura, o medo rodeava. Tive muito medo de perdê-lo durante o tratamento, eu não dormia, virava a noite controlando a máquina de medicação. Abandonei tudo e vivi para a cura dele e faria tudo de novo, se precisasse", diz Viviane.
Auxiliar administrativa, ela retomou a carreira em 2020 e tem conciliado com a atenção a Luiz Henrique. "Meu sonho sempre foi ser mãe, meu filho é minha realização. Depois da cura, foi um alívio, todos os meus dias viraram Dia das Mães", finaliza.