09 de julho de 2026
Internacional

Ucrânia corta gás para a Europa

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Kiev - A Ucrânia restringiu pela primeira vez desde que foi invadida pela Rússia, há 77 dias, o fluxo de gás natural que o país de Vladimir Putin vende para a Europa e passa por dutos em seu território.

A medida pegou de surpresa analistas ocidentais, que buscam amplificar ao máximo notícias que pareçam favoráveis ao governo de Kiev em sua luta contra os russos, como uma ofensiva no nordeste do país que recapturou algumas vilas nesta quarta (11).

O corte tem dois significados básicos: primeiro, que o presidente Volodimir Zelenski quer pressionar ainda mais os membros da UE (União Europeia) a suspender a compra de gás e petróleo russos, que respondem por cerca de 40% das demandas energéticas do bloco. A UE tem discutido tais cortes e já pediu o fim da importação de petróleo e derivados, mas há resistência, particularmente da Hungria do aliado de Putin, Viktor Orbán.

PARCIAL

O corte parcial do gás foi feito no ponto de trânsito Sokhranovka, da Gazprom, a gigante estatal russa do setor. A operadora ucraniana TSO disse que não havia segurança naquele ramal por passar pelas áreas rebeldes russas de Lugansk, embora o fluxo tenha sido constante desde o começo a guerra. Ela sugeriu o desvio do fluxo para o ramal que sai da cidade russa de Sudja, mais ao norte.

Com a medida, houve uma queda de 25% do envio de gás para a Europa, o que fez o preço do produto flutuar um pouco. Mas terá impactos mais severos se continuar --as outras rotas de hidrocarbonetos passam pela Belarus e sob o mar Báltico, pelo gasoduto Nord Stream 1, que liga Rússia à Alemanha.

O segundo ramal do Nord Stream, inaugurado no ano passado, nunca foi usado devido às tensões crescentes entre Rússia e Ucrânia e, depois, à guerra. Ele é considerado o maior erro estratégico dos anos de Angela Merkel no poder na Alemanha, por amarrar o futuro energético da maior economia europeia a um aliado inconfiável.

OUTRO LADO

Moscou diz que vai manter sua venda em contratos antigos, tendo apenas obrigado os países a pagar em rublo para valorizar sua moeda e já cortou o fluxo para Polônia e Bulgária, adversárias que se recusaram a fazer isso.