10 de julho de 2026
Esportes

Com alto investimento, sites de apostas esperam regulamentação


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Dos 40 times que disputam as séries A e B do Campeonato Brasileiro, 35 têm algo em comum: são patrocinados por sites de apostas esportivas. Um mercado ainda não regulamentado no País, com empresas hospedadas no Exterior que não geram empregos ou pagam impostos no País. Isso vai mudar se o governo federal regulamentar a atividade até o final do ano.

Entre os principais times do Brasil, as exceções são Brusque, Grêmio, Novorizontino, Palmeiras e Tombense. Não é apenas nas equipes que as marcas são expostas. Companhias do ramo patrocinam programas esportivos, contratam celebridades para protagonizar anúncios e pagam a influenciadores digitais para divulgar suas marcas.

Não há um número definitivo para o tamanho desse mercado nem uma estimativa precisa sobre o crescimento que pode ocorrer com a regulamentação. Empresários ouvidos pela reportagem estimaram que, com a regulação, é uma indústria que pode movimentar algo entre R$ 20 bilhões e R$ 100 bilhões.

Com qualquer desses valores, será uma parte pequena de atividade econômica que deve atingir US$ 140 bilhões anuais em 2028 (R$ 721 bilhões pela cotação atual), segundo pesquisa da Grand View Research. "Vai ser criada uma nova indústria, com novas profissões, e o Brasil pode virar um centro de tecnologia", avalia Ricardo Rosada, chefe de marketing do galera.bet.

Os investimentos feitos em patrocínio nas equipes brasileiras ocorrem, em parte, pela esperança de expansão do mercado e da regulamentação.

As casas de apostas estão autorizadas a operar por causa de lei 13.756/2018, sancionada pelo então presidente Michel Temer há quatro anos. Mas ela determina que o assunto precisa ser regulamentado pelo Ministério da Economia até o final de 2022. As empresas que mantêm sites em português, anunciam e patrocinam clubes nacionais não estão sediadas no Brasil. Geralmente têm seus escritórios em países como o Malta, Curaçao ou Gibraltar (onde está a maioria).

"Quanto mais a regulamentação demorar para sair, menos dinheiro o Brasil arrecadará em impostos. A ausência de regulamentação deixa o mercado brasileiro inseguro juridicamente, tanto no ponto de vista do operador (a casa de apostas) quanto do consumidor (apostador). A regulamentação vai trazer, por exemplo, maior segurança para o apostador receber prêmios, já que poderá pleitear seus prêmios na Justiça brasileira", opina Udo Seckelmann, advogado especialista em esportes e apostas no escritório Bichara e Motta.

Já houve problemas. E, em caso de qualquer desacordo, não há a quem reclamar. "Eles atuam em uma zona cinzenta, e já faz muito tempo. Estão em Malta, Curaçao, Gibraltar. Operam lá de fora com sites totalmente traduzidos para o português. Eu já vi várias vezes apostador nos procurar para dizer que tem um dinheiro depositado e não consegue sacar. Não há o que fazer, a não ser acionar a Justiça no país de origem do site. É um mercado cinzento", explica Eduardo Diamante de Sousa, advogado especializado em direito desportivo e apostas do escritório Carlezzo advogados.

A estratégia de patrocinar os clubes e tornar as marcas conhecidas é estar na frente no momento da regulamentação. As empresas acreditam que isso vá se concretizar, apesar da resistência de setores do governo de Jair Bolsonaro (PL). Damares Alves, ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, já disse no passado ser contra.

Há desconfiança com a falta de movimentação no tema, o escasso tempo até dezembro e o fato de este ser um ano de eleição presidencial. Mas congressistas envolvidos no assunto estão otimistas sobre a possibilidade de tudo ser resolvido.