09 de julho de 2026
Viver Bem

Novo rótulo nos vilões alimentares

Cleide Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

Com mais da metade da população adulta do País acima do peso e percentuais superiores a 60% em cinco Capitais, começam a chegar em outubro às prateleiras novos rótulos nas embalagens de alimentos. A parte frontal dos produtos terá de informar se há alto teor de açúcar, sódio ou gordura saturada - ou uma combinação deles. Os três são os principais vilões da dieta saudável.

Para os especialistas, a medida, aprovada em 2020 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ajuda a retirar a obesidade da lista de dilemas individuais. "Não são razões individuais que explicam o aumento da obesidade. O sistema alimentar é adoecedor", afirma Inês Rugani, do Grupo Temático Alimentação e Nutrição da Associação Brasileira de Saúde Coletiva.

O que está em jogo, segundo especialistas, são as condições de vida a população. O tempo gasto no transporte público, a menor disponibilidade de produtos in natura e a ausência de locais públicos e seguros para prática de atividades físicas criam o chamado "ambiente obesogênico", que contribui para o aumento de peso.

Para a pesquisadora Letícia Cardoso, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, são necessárias políticas que facilitem a escolha de alimentos saudáveis e desestimulem o consumo de produtos inadequados.

A alimentação à base frutas, verduras e vegetais é considerada chave para conter a epidemia de obesidade não só no Brasil, mas no mundo. Dados da pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, mostram que, desde 2006, em média, 360 mil pessoas acima de 18 anos engrossaram as taxas de excesso de peso a cada ano. Dessas, 234 mil tornaram-se obesas - com Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 30. Os dados referem-se somente à população as 26 capitais e do Distrito Federal.

Em 2021, 57,2% dos moradores destas cidades apresentaram excesso de peso - 22,4% deles, obesidade. Para Rafael Claro, especialista em nutrição em saúde pública e consultor do Ministério da Saúde para o projeto Vigitel, em 13 dos 16 anos da pesquisa Vigitel houve aumento das taxas da população adulta com excesso de peso. Em três, estabilidade. Ano passado, as maiores taxas foram registradas em Porto Velho (64,4%), Manaus (63,4%), Porto Alegre (62,1%), Belém (61,2%) e Rio Branco (60,35%).

Segundo Claro, há ainda um complicador no incentivo à dieta saudável. No Brasil, alimentos ultraprocessados estão cada vez mais baratos e os in natura encarecem.