Um bom filme não se faz só de boas intenções, prega um dos mais óbvios adágios da cinefilia. Ainda assim, vez ou outra aparecem por ali diretores talvez desavisados, vai saber, como é o caso da dupla Christophe Castagne e Thomas Sametin. Donos de um currículo ainda mirrado, eles apresentaram no Festival de Cannes o documentário "For the Sake of Peace", ou em prol da paz, dentro da programação principal.
Antes de tudo, vamos ao principal mérito do filme. Não deixa de ser valoroso que diretores voltem suas câmeras para um país que não ocupa as principais atenções do mundo - no caso, a jovem nação do Sudão do Sul, que foi reconhecida como um país independente pela ONU há meros 11 anos. Pois bem, o lugar, encravado nas franjas da África subsaariana experimenta pobreza esmagadora e os despojos de uma guerra civil que ocuparam quase toda a sua vida como Estado. Um tanto apegados à ideia do mérito individual, Castagne e Sametin escolheram acompanhar a trajetória de duas pessoas que tentam mudar a situação das coisas naquele lugar.
A moça tem de se bater com o machismo arraigado para ter sua voz ouvida entre lideranças de grupos tribais que se batem há décadas, ao que parece, e que saqueiam os esquálidos bois do rebanho uma da outra. Cada rês, diz o filme, é um signo de status e riqueza. É o que permite que um homem de um bando possa comprar o dote de uma noiva.