11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Dívida do mundo atinge recorde de US$ 305 trilhões no trimestre

FolhaPress
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Washington - Pressionada nos últimos dois anos por gastos relacionados à pandemia, a dívida global de governos, empresas, bancos e famílias atingiu no primeiro trimestre de 2022 o maior patamar de todos os tempos em dólares: US$ 305,3 trilhões.

O recorde se dá ao fim de uma década em que o endividamento mundial subiu sistematicamente acima da taxa de crescimento dos países: para cada US$ 1 a mais em dívida, o PIB global aumentou US$ 0,27 no período, segundo relatório divulgado nesta quarta (18) pelo IIF (Instituto Internacional de Finanças), que reúne 450 bancos em 70 países.

A marca inédita é atingida no momento em que os EUA iniciam um ciclo de aumento das taxas de juros para combater a inflação. O movimento deve encarecer e dificultar, para muitos países, o refinanciamento de seus débitos, sobretudo os denominados em dólar, já que a moeda tende a se valorizar com os juros americanos em alta.

Segundo o IIF, a fatia no endividamento global dos países emergentes se aproxima pela primeira vez de US$ 100 trilhões. Neste ano, eles têm pagamentos combinados equivalentes a US$ 5,5 trilhões --muitos com parcelas significativas em moeda estrangeira.

Argentina e Chile, por exemplo, têm débitos em dólares e euros (de empresas, bancos e governos) equivalentes, respectivamente, a 56% e 62% de seu PIB. A Turquia, com 97%, é o emergente mais exposto a turbulências no mercado internacional.

O Brasil aparece em situação confortável, com dívidas em moeda estrangeira equivalentes a 27,5% do PIB. A maior parcela (15,4%) refere-se ao endividamento de empresas não financeiras. Bancos respondem por 8,2%, e o governo, por 4% --o que limita bastante o impacto da alta de juros global sobre a dívida pública.