09 de julho de 2026
Geral

Encontro do conselho é invadido com ataques racistas e contra mulheres

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

Ao menos dois homens, um deles com uma suástica nazista na imagem do perfil, fizeram ataques racistas e misóginos a participantes da reunião online promovida, na noite desta quarta-feira (18), pelo Conselho Municipal de Políticas Públicas para Mulheres (CMPM). Por conta das ofensas, foi registrado boletim de ocorrência (BO) nesta quinta-feira (19) para que a Polícia Civil de Bauru investigue o caso.

O encontro virtual, realizado mensalmente, reúne mulheres de vários setores da sociedade, que trabalham voluntariamente e elaboram projetos pela luta contra a violência de gênero, na busca por melhores empregos a pessoas do sexo feminino, por programas de capacitação e em prol da confecção de políticas públicas a este público.

E foi logo após a fala da presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra, Sebastiana de Fátima Gomes, abordando questões como racismo estrutural e a importância da educação para o empoderamento feminino, que os invasores iniciaram as investidas, tanto por áudio quanto por texto, por meio do chat (veja no quadro ao lado).

"Durante a reunião, eu estava falando, quando ouvi palavrões e estranhei. Logo, percebemos que o encontro havia sido invadido. Solicitei que todas as mulheres presentes gritassem muito para afugentar o invasor. Então, vi que ele também escreveu no chat palavras de cunho machista e racista, como 'macacas', 'mulher tem que ser escrava', 'mulher tem que trabalhar'", relata Sebastiana Gomes.

A situação também causou revolta nas outras participantes, que registraram, por meio de capturas de tela, os ataques. "Foram falas machistas, dizendo que mulheres tinham que ir trabalhar, com altos palavrões, falando que as mulheres não eram dignas de nada, que deveriam ser escravas, entre outros xingamentos. Foram até específicos às mulheres negras, que foram chamadas de 'macacas'. Foi um ataque covarde", relata Maria da Gloria Lima dos Reis, presidente do Conselho de Políticas Públicas para Mulheres.

'DESESTABILIZAR'

Maria da Gloria acredita que esses ataques são articulados por pessoas que visam desestabilizar o que está sendo construído nessas reuniões em favor da sociedade, sobretudo em relação às mulheres.

"Nossa ação está sendo um problema para as pessoas que se sentem incomodadas com a melhora na qualidade de vida das mulheres e com o nosso crescimento perante à sociedade, pois nos veem como seres menores, inferiores. Por isso, nos desrespeitam dessa forma. Vamos registrar boletim de ocorrência e tomar todas as providências. Mas, nossa principal medida será continuar nosso trabalho diário", complementa.

REGISTRO NA POLÍCIA

Diante dos ataques e do crime de racismo, Sebastiana de Fátima Gomes e o advogado Alex Pablo Muro Lopes, que é representante da OAB Bauru no Conselho Municipal da Comunidade Negra, foram até a Central de Polícia Judiciária (CPJ) na tarde desta quinta-feira (19) e registraram um boletim de ocorrência (BO) para que o caso seja investigado pela Polícia Civil.