A Estação Ecológica Sebastião Aleixo da Silva, conhecida como Estação Ecológica de Bauru (Esec), começará a receber, na próxima semana, ações de prevenção contra incêndios. Trata-se de uma parceria firmada entre a Bracell, empresa de celulose de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), e a Fundação Florestal (FF), vinculada à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (Sima). Medidas também serão aplicadas em parte da área do Jardim Botânico, chamada de Unidade de Conservação Refúgio da Vida Silvestre - RVS Aimorés - Gleba 2.
Conforme o JC noticiou, a colaboração visa apoiar ações de conservação e estudo em sete unidades de Cerrado e de Mata Atlântica localizadas na região de Bauru. O contrato tem duração de doze meses, mas um acordo de intenções está sendo estudado para que seja prolongado por mais cinco anos.
E as unidades de preservação bauruenses que receberão medidas preventivas não foram escolhidas por acaso. Em setembro de 2020, um incêndio de grandes proporções castigou a Esec, localizada na Bauru-Iacanga. Segundo a FF, o fogo atingiu 70% dos 287 hectares do último remanescente de Mata Atlântica da região administrativa de Bauru, que, na época, ardeu em chamas durante três dias.
Até então, a Estação Ecológica, que foi criada em 1987, era considerada uma das mais importantes reservas do bioma no Estado, justamente por conta do seu alto nível de preservação. Para se ter uma ideia, abrigava 193 espécies de animais e 226 tipos de árvores, dentre eles, diversos exemplares exóticos e ameaçados de extinção.
Pouco tempo antes do incêndio na Esec, foi a área de conservação do Jardim Botânico que foi atingida pelo fogo. Em outubro de 2019, as chamas destruíram 60 dos 321 hectares de Cerrado nativo do local.
INTERVENÇÕES
Diante deste lamentável histórico, João Carlos Augusti, gerente de Meio Ambiente e Certificações pela Bracell São Paulo, explica que a intenção da parceria é justamente reforçar as ações preventivas para evitar que novos incêndios destruam a vegetação que se regenera. Ele ainda ressalta a importância das intervenções serem feitas o quanto antes, por conta da estiagem.
"A principal pressão nessas áreas é com relação aos incêndios, que iniciam nesta época do ano. A Bracell vai disponibilizar o aceiro, que é uma faixa no entorno onde é possível limpar o espaço para evitar que o fogo de fora adentre a área de preservação; vai implantar placas de advertência e informativas, destacando a importância da área; e vai disponibilizar equipamentos de combate ao fogo manuais, como bombas costais, luvas, botas e EPIs, para suprir brigadas e vizinhos que ajudam; além de, junto com a FF, realizar workshops para formação de brigadistas e até para reciclagem desses profissionais, com cartilhas e instrutor", detalha Augusti.
Nelson Antonio Gallo, que atua pela FF em Bauru, também destaca as ações que estão sendo realizadas pelo órgão, responsável pela gestão da Esec e também por parte da área do Jardim Botânico. "Em junho, começa a atuação de uma equipe de bombeiros civis. Eles são contratados neste período para monitorar os locais, justamente por conta do aumento das chances de incêndio. Temos também a vigilância rondante e parcerias com a Polícia Ambiental e com as universidades, que realizam trabalhos visando regeneração da área", complementa.
REGENERAÇÃO
Inclusive, em relação às chamas que atingiram a Esec, apesar de a recuperação da Mata Atlântica ser mais vagarosa, a área já mostra sinais de regeneração.
"A expectativa é boa, mas é um processo lento. Não é um Cerrado, que se dá bem com o fogo e se recupera facilmente, como vimos ocorrer no Jardim Botânico. Mas, em algumas áreas específicas da Esec, onde havia muitos cipós que queimaram, notamos uma boa regeneração natural por conta da maior entrada de luz solar. Estão germinando muitas sementes", conclui Nelson Gallo.