Em minha lembrança, apenas
duas situações: muito doente,
levada para uma cirurgia,
hospital, médicos, enfermeiros,
intervenções. Papai me
carregava no colo, a
movimentação seguia.
Muito querida, me contam,
gostava de pescar.
À tardinha, empunhando seu
caniço, lá ia ela,
voltava ao amanhecer com o
bornal a transbordar,
levando, com alegria, os
peixinhos pra panela.
Era italiana e me dizem, assim
me chamava: "Robertino!"
Entre as recordações, não me
ficou dela, sequer um carinho,
era nenê, ainda, e da memória,
não pude retê-los, no escaninho.
Do sepultamento, sim, me
lembro, era vespertina hora.
O cemitério, no final da rua, eu,
no colo de papai, ele me cobre a
cabeça com um pequeno
lenço e chora.