11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Com home office, barulhos de vizinhos se tornam maior desafio a condomínios

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 2 min

Consolidado de vez na pandemia, o home office se tornou a modalidade definitiva de muitos profissionais. Mas conciliar o trabalho com ruídos de vizinhos nem sempre é tarefa fácil e os desentendimentos dessas situações têm se tornado o maior desafio aos condomínios. As principais reclamações são por conta de barulhos de animais, crianças e reformas. Especialistas orientam que a melhor estratégia é tentar primeiro um diálogo, expondo as necessidades e dificuldades enfrentadas pelo trabalhador, e, caso não seja produtivo, solicitar a intermediação do síndico ou responsável.

"Na imensa maioria das vezes, a conversa e, principalmente, a intermediação resolvem o problema", afirma Felipe Fernandes, síndico profissional.

Na percepção dele, as reclamações de trabalhadores remotos por causa de vizinhos barulhentos seguem frequentes, mesmo com o arrefecimento da pandemia. "Muita gente seguiu trabalhando em casa, porque diversas empresas descobriram vantagens em manter o funcionário em home office".

É o caso do técnico em Tecnologia da Informação (TI) Rafael de Souza, 36 anos, em teletrabalho desde 2020 e, frequentemente, obrigado a conviver com os ruídos do apartamento vizinho.

"No início, foi bem complicado. Era aquele momento em que todo mundo ficou trancado em casa. Então, as pessoas não tinham muita noção. Era barulho o tempo todo de móveis arrastando e gritaria das crianças. Em uma das reuniões de trabalho, chegaram a perguntar, brincando, se tinha mais alguém na minha casa, porque sabem que eu moro sozinho", conta o profissional, que mora em um condomínio no Jardim Terra Branca.

Para evitar constrangimento, ele procurou a intermediação do síndico, que conversou com o vizinho. "Melhorou muito, mas não zerou. Às vezes, ainda atrapalha", relata o técnico em TI.

EMPATIA

Segundo Felipe Fernandes, nos casos conflituosos, a empatia se apresenta como primeira ferramenta para tentar solucionar o problema.

"Buscamos sempre conscientizar pelo diálogo. Marcamos uma reunião no apartamento de quem causa ruído para tentar levar esse sentimento de compreensão para a pessoa. Aí, partimos para as indicações práticas. Orientamos sobre horários do playground, colocação de feltro nos pés de cadeiras e uso de tapetes de EVA, para reduzir barulho de crianças pulando ou derrubando objetos no chão", explica ele, apontando que, além do barulho,as discussões relacionadas a cigarro, carro e cachorro são os problemas mais crônicos de convivência entre condôminos (leia mais abaixo).

No entanto, quando a conversa não surte efeito, o jeito é partir para medidas administrativas, a depender do estatuto do condomínio. "Pode começar com uma notificação e até mesmo virar multa. Se nada disso resolver, a saída é tentar uma ordem judicial".