Kiev - No centésimo dia da Guerra da Ucrânia, um festival de obviedades proferidas pelos principais atores do conflito ajuda a sustentar a avaliação de que a crise está distante de ter uma solução.
A começar pela Rússia, que invadiu o vizinho em 24 de fevereiro, lançando a maior ação militar na Europa desde que os soviéticos tomaram Berlim enquanto os Aliados avançavam a oeste contra os nazistas, em 1945.
"Um dos principais objetivos da operação é proteger as pessoas das repúblicas populares de Donetsk e de Lugansk. Medidas foram tomadas para isso e alguns resultados foram alcançados. Este trabalho vai continuar até que se alcancem todos os objetivos", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
Ele está certo, parcialmente. Seu chefe, o presidente Vladimir Putin, colocou a dita libertação desses territórios separatistas no leste ucraniano como uma de suas prioridades, e o violento assalto que já tomou 90% de Lugansk, segundo a avaliação britânica, vai no caminho disso - o que "libertar" significa, e modus operandi, são outras questões.
Peskov obviamente não falou dos fracassos da primeira fase da guerra em tomar Kiev e Kharkiv, as maiores cidades do país, e as dificuldades que as forças russas enfrentam em campo. Ou da promessa de não tomar território para si, enquanto já conquistou boa parte do sul do país e estabeleceu um corredor entre o Donbass e a Crimeia anexada em 2014.