Após mais de sete meses parado no estaleiro de um centro náutico de Lisboa para reparos, o veleiro Strega, no qual o casal bauruense Paula Lamberti e Fernando Mendes navega para dar a volta ao mundo, regressou ao mar. A embarcação estava em manutenção desde outubro de 2021, após um ataque de orcas causar estragos no sistema interno do leme e deixar os velejadores à deriva por horas, a cerca de 36 milhas (pouco mais de 57 quilômetros) da costa portuguesa.
Conforme o JC publicou na época, o resgate do Strega durou mais de seis horas e foi bastante tenso, mas Paula, Fernando e o cão mascote da aventura, o lhasa apso Choppinho, saíram ilesos do episódio, registrado na madrugada de 6 de outubro.
Os trabalhos de reparo na embarcação foram realizados pelo próprio casal, que, depois de sete meses em terra firme, comemora a volta ao mar, ocorrida no último dia 27 de maio. Hoje, ancorados em Cascais, Portugal, eles já planejam os próximos destinos.
"Ainda continuaremos ao Sul pela costa espanhola, mas teremos, obrigatoriamente, que sair da União Europeia (UE) até outubro, pois nosso barco tem bandeira brasileira e a embarcação só pode permanecer por 18 meses na UE. Nesse caso, teremos duas opções: Gibraltar ou Marrocos", cita Paula, elencando que, depois disso, o casal pretende retornar a Portugal para passar o inverno em Algarve.
Posteriormente, os bauruenses devem entrar de vez no Mediterrâneo. "Mas, a pandemia nos ensinou a não fazer planos a longo prazo, portanto, tudo isso poderá ser alterado de um dia para outro. Este é o lado bom dessa forma de vida: mudar o rumo quando for da nossa vontade", acrescenta Paula.
MOTORHOME
E foi exatamente o que aconteceu quando o Strega ficou parado para os reparos. Paula e Fernando mudaram o meio de locomoção e continuaram a jornada, mas paralela à da volta ao mundo, a bordo de um motorhome (casa sobre rodas).
"Descobrimos que Portugal não é um país que pode ser considerado 'pet friendly' (país onde os animais são bem-vindos e a presença deles é permitida na maioria dos lugares) e isso dificultou as possibilidades de nossa hospedagem por lá. Daí surgiu a ideia de viajarmos em um motorhome. Saímos, então, rumo a Proença-a-Nova, mais ao centro de Portugal, próximo a Castelo Branco, onde vivem familiares do Fernando. Depois de revermos todos, seguimos para Figueira da Foz e, por fim, Nazaré, antes de retornarmos a Lisboa", narra Paula.
"A experiência a bordo do motorhome foi incrível e nossas expectativas foram alcançadas, mas, por enquanto, ainda preferimos o nosso bravo veleiro Strega, e não pensamos em partir para outro tipo de aventura", completa.
Antes da viagem no motorhome, o casal voou para Bauru, onde se encontrou com familiares e amigos e contou pessoalmente os momentos de tensão vividos com o ataque das orcas. Em abril, Paula e Fernando voltaram para Lisboa e deram início aos reparos na embarcação.
REPAROS
Os consertos contaram com a ajuda de parentes portugueses de Fernando. "São os primos dele, José e Francisco Alfaia, sobrinhos do seo Zé, muito conhecido por ter sido dono de um açougue no Higienópolis, aí em Bauru", detalha Paula.
Além das manutenções em decorrência do episódio envolvendo as orcas, o casal também aproveitou para pintar o Strega; realizar as revisões do motor, da rabeta e das entradas de água; trocar registros; substituir a vela principal; entre outros serviços. Tudo isso para garantir a segurança pelos próximos meses a bordo da embarcação.