11 de julho de 2026
Articulistas

Intimidade, conceito transcende o contato físico, é saúde mental

Arsenio Sales Peres
| Tempo de leitura: 3 min

Assunto que permeia horizonte pouco avistado pela ótica rotineira dos humanos, escancara o âmago dos envolvimentos em relacionamentos interpessoais, nutre a realidade que neste ínterim reside a essência da saúde mental. Também é saúde pública!

Já pensaram que os corpos não têm o poder de se comunicar? É a mente que o faz e possibilita quaisquer elos ou não, existe uma confusão quando se outorga a coexistência humana ao corpo, a comunicação é da mente. Importa ter ciência se os seus pensamentos, ideias e sentimentos estão em harmonia? Saber a diferença entre saúde mental e doença ou transtorno mental?

Uma definição oficial para o conceito de saúde mental, é inexistente, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Pense, reflita e seja condômino da tratativa irrefutável que o que importa é alcançar a intimidade mental nos dias de hoje.

E quando pontuamos o presente lapso nos remete que o modo de enxergar de gerações passadas e/ou anteriores contemplariam a intimidade corporal somente? Muitas perguntas!

Vivemos a superficialidade, o desapego ao outro, sendo que os critérios para discernir a verdade encontram-se confusos na suposta Sociedade da Transparência. Intimidade é união de mentes, não perpassando obrigatoriamente pelo físico, dicotomizando por óbvio, pois são dispares intimidade mental e física.

Em um mesmo lar se constrói uma família, com integrantes íntimos, por vezes não, mas o exercício que se constrói é treinar a mente para que seja aberta, sob pena de possuir um coletivo em grupo de controle aprisionado em uma teia consolidada numa base de preconceito do que são as pessoas viventes no imaginário mundo controlado por um ego recusador de fatos estranhos ao que se povoa em mentes resistentes ao livre arbítrio.

Mente fechada tem a sensação de saber o que é certo, seja lá para quem for o interlocutor ou a si próprio, sendo difícil aceitar o desconhecido do crivo que a mente fechada impõe.

Surge então um nível de controle maiúsculo, enorme, intimidador e leva a dificuldade que a mente fechada tem em ser intima de outra. Forma-se então um sistema e não um processo de convívio, e todo humano que aceita um pressuposto sistema de viver é por consequência um sistemático.

É impediente a fusão em um convívio íntimo, não há fusão, existe um negacionismo marcante. A mente aberta tem um nível de aceitação generoso, grande nível de consciência, surge o chamado amor incondicional e cria-se um vetor psíquico de aceitação do que se vai conhecer como elas são, sem necessariamente ter que ser modificada por um dos envolvidos no relacionamento interpessoal.

Daí que surge o sofrimento diminuído, pois evidentemente não se é necessário rearranjar fatos que outrora não poderia ser conhecido por uma das partes envolvidas, o certo e o errado ficam sucumbidos. Surge a intimidade mental, com uma capacidade de aceitação do próximo desgarrado de preconceitos, facilitando o convívio mútuo.

Mentes abertas tem intimidade mental e por óbvio um relacionamento muito prazeroso.

Pronto, estamos frente a frente com a verdadeira intimidade, não aquela que se precisa satisfazer o ego de uma das partes. Fica afastada a ideia de que um indivíduo precisa controlar o outro.

Ter dinâmica de corpos, definitivamente, não é intimidade em plenitude. Mente sã, corpo são e convivência verdadeira. O controlador sempre vai sofrer pelo seu ego egoico!

O autor é Professor Livre Docente da USP aposentado, associado 3, Mestre e Doutor.