10 de julho de 2026
Internacional

'A Rússia tenta vender os grãos saqueados na Ucrânia', dizem EUA

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Washington  - Em guerra com a Ucrânia desde o mês de fevereiro, a Rússia estaria tentando vender o trigo saqueado na Ucrânia a países africanos, de acordo com o The New York Times. O alerta foi feito pelos Estados Unidos e os alvos para compra seriam países atingidos pela seca, alguns inclusive tendo a população enfrentando problemas de fome.

A produção de grãos na Ucrânia corresponde a um décimo das exportações de trigo em todo o mundo, e em meados de maio, os Estados Unidos já tinham enviado um alerta a 14 países, principalmente na África, de que navios de carga russos estariam deixando portos perto da Ucrânia carregados com o que foi chamado de "grão ucraniano roubado".

O alerta americano colocou os países africanos em um grande dilema, ainda de acordo com a publicação. Se beneficiar de possíveis crimes de guerra e desagradar um poderoso aliado ocidental, ou então recusar alimentos baratos em um momento em que os preços do trigo estão subindo e centenas de milhares de pessoas passam fome.

O aviso emitido por Washington corrobora acusações feitas pelo governo ucraniano 'de que a Rússia roubou até 500 mil toneladas de trigo, no valor de US$ 100 milhões, desde a invasão russa'.

ÁFRICA 

Na última sexta-feira (3), o presidente do Senegal, Macky Sall, também chefe da União Africana, reuniu-se na Rússia com Vladimir Putin, em um esforço para garantir o fornecimento de grãos do país.

A Rússia e a Ucrânia normalmente fornecem cerca de 40% de trigo para a África, onde os preços do grão subiram 23% no ano passado, segundo as Nações Unidas. Na região do Chifre da África, uma seca devastadora deixou 17 milhões de pessoas com fome, principalmente em partes da Somália, Etiópia e Quênia, segundo as Nações Unidas. Mais de 200 mil pessoas na Somália estão à beira da fome.

Diante da situação de fome e falta de alimentos no continente africano, é pouco provável que os países hesitem em comprar grãos por um preço mais baixo, disse Hassan Khannenje, diretor do HORN International Institute for Strategic Studies, um órgão de pesquisa no Quênia.

"Isso não é um dilema", disse Khannenje. "Os africanos não se importam de onde tiram sua comida, e se alguém vai moralizar sobre isso, eles estão enganados. A necessidade de comida é tão grave".

Autoridades ucranianas disseram que a solução para o problema alimentar da África é uma maior pressão global para acabar com a guerra, não a compra de grãos saqueados. Há uma "resposta simples", disse Taras Vysotsky, vice-ministro da Agricultura da Ucrânia: "Parem os combates".