São Paulo - A Abras (Associação Brasileira de Supermercados) afirmou na tarde desta quinta-feira (9) que propôs ao governo Bolsonaro a isenção de impostos dos produtos da cesta básica e a desoneração da folha de pagamentos.
A representante de mais de 50 varejistas do P aís diz que irá a repassar ao consumidor qualquer redução que houver na cadeia produtiva.
A manifestação veio em resposta ao pedido do presidente Jair Bolsonaro (PL) e do ministro da Economia, Paulo Guedes, para supermercados reduzirem o lucro sobre a cesta básica como forma de conter a alta dos preços. "O pedido é absurdo e incompatível para um chefe de estado ', afirma o coordenador de IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da FGV (Fundação Getúlio Vargas), André Braz.
"Todo supermercado vive pelas leis de mercado, da oferta e da procura. Ele é um revendedor, praticamente não fabrica nada. Se compra uma mercadoria mais cara, por culpa de outros fatores que não têm a ver com o lucro dele, ele também não pode vender mais barato do que ele compra", diz Braz.
EMPREGO E RENDA
"O supermercado também é responsável pela geração de empregos e renda. E um negócios desses não funciona comprando caro e vendendo barato", afirma o economista Leandro Rosadas, dono de dez mercados em cinco estados, diz que a solução é ter algum tipo de incentivo às indústrias e ao agronegócio, para que na cadeia produtiva o produto chegue mais barato ao supermercado.
"Os supermercados hoje não estão repassando todos os aumentos da indústria. Só para ter uma noção, em alguns lugares do País o leite já está chegando a R$ 5,30. Como que o supermercado vai conseguir vender a quatro e pouco? É impossível", afirma Rosadas.