Enquanto o eleitorado feminino no Brasil é maior que o masculino, a representatividade feminina na política por meio de cargos eletivos continua muito pequena. A importância do aumento da participação das mulheres na vida política do país foi debatida no Café com Política (programa do JC e 96 FM) desta sexta-feira (10), com a participação da professora de história e geografia Sebastiana de Fátima Gomes, a Tiana, que é presidente do Conselho da Comunidade Negra de Bauru; e do executivo de negócios e experiente ativista político Antônio Carlos de Almeida.
Em Bauru, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de maio deste ano, existem 129.047 eleitores homens para 150. 419 eleitoras, seguindo o cenário nacional. Então, o primeiro questionamento sobre o assunto feito à professora pelo apresentador Ricardo Bizarra foi por que a relação entre mulheres eleitoras e os postos chaves da política é tão desproporcional?
Para ela, a resposta não está em acontecimentos recentes, mas na própria história da formação da sociedade brasileira. "A sociedade patriarcal, instituída no Brasil desde o século 16, não mudou muito com o passar dos anos. Somente na década de 1930 as mulheres puderam compor a vida política. As instituições que temos, principalmente as escolas, acabam reforçando isso. Não vejo nas escolas as meninas serem estimuladas a pensar em política, a entrar na vida política...", comentou.
Por outro lado, na opinião de Tiana, embora não haja um estímulo específico para a participação masculina, também a história se encarrega por beneficiar sua participação. "Nos livros de história, os homens são protagonistas, lideraram revoluções. A história reforça essa imagem", avalia. Em sua opinião, a mudança só deve ocorrer quando a mulher compreender o cenário e ocupar seus espaços. "O conhecimento é a base de tudo", resume.
Questionada pelo jornalista Reinaldo Cafeo, a professora opinou que é também o conhecimento sobre sua importância que vai mudar o quadro fictício criado por muitos partidos, que usam a participação feminina para cumprirem cotas de gênero sem realmente investirem em suas campanhas. "Isso representa o domínio macho, que insere as mulheres em um segundo plano", critica Tiana.
O especialista em marketing político e comunicação eleitoral Kleber Santos reformou o quanto a mulher é importante para o resultado das eleições, como eleitora. "Todas as estratégias das campanhas estão observando as mulheres. A mulher leva muito em conta questões como a mesa, comida, saúde. O candidato deve trazer esta discussão para perto da sua realidade, principalmente das chefes de família".