Para o economista, jornalista e mestre em Administração, vice-presidente da Ordem dos Economistas do Brasil, professor Luiz Carlos Barnabé de Almeida, o crescimento econômico exponencial que vai alçar o Brasil ao topo da economia mundial não é uma expectativa, mas uma certeza, como consequência de uma transformação econômica mundial. Barnabé compartilhou sua visão da economia brasileira e mundial no programa Café com Política desta sexta-feira (17). Já o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru, Walace Sampaio, discutiu a importância de Bauru eleger representantes nos legislativos Estadual e federal (leia ao lado).
Para Barnabé, a partir do mês de julho o Brasil deve passar por uma transformação, com a diminuição do desemprego, estimulado internamente pela nova forma de distribuição social adotada pelo governo federal. O efeito positivo, em sua opinião, pode garantir, inclusive, a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL), já no primeiro turno das eleições, diferentemente do que vêm demonstrando as pesquisas de intenção de voto até aqui. "Tenho certeza que teremos mudanças nas pesquisas eleitorais", afirmou.
Apesar deste otimismo, Walace Sampaio avalia que o comércio e o varejo brasileiros ainda sentem os efeitos da pandemia e se esforçam para sobreviver, mesmo com o bom resultado da economia no primeiro trimestre. "Há uma estratégia de sobrevivência das empresas, elas procuram de uma forma ou outra se adequar. Dentro da estratégia de sobrevivência, vemos com otimismo este pequeno resultado positivo (indicadores econômicos das últimas semanas)", comenta.
POLARIZAÇÃO
O presidente do Sincomércio diz que é preciso estar atento ao formato das eleições deste ano, por seu efeito para a economia. "Nos encaminhamos para uma eleição que deve ser polarizada, por incrível que pareça. Apesar de tantos partidos políticos no Brasil, vamos ter uma eleição similar à americana, com dois candidatos disputando", pontuou Sampaio.
Já para o economista Barnabé, as eleições no país são historicamente polarizadas. "Sempre é reeleito quem está no poder, e só se elege quem está exatamente no outro polo do poder quando quem está no poder está desacreditado da sua gestão", avaliou.
'LÍDER MUNDIAL'
Luiz Carlos Barnabé acredita no desenvolvimento do Brasil, segundo ele, baseado em estudos científicos que acompanham a economia mundial e no efeito das mudanças de legislações brasileiras. "A verdade é que nestes últimos três anos, nunca de aprovou tanto leis capitalistas na economia contemporânea como no Brasil. Todo este arsenal de atitudes econômicas começa a sair para a prática, atraindo o capital internacional, principalmente o que ia para Rússia e China. Só sobra o Brasil agora como porto seguro", avalia.
Para o economista, a previsão positiva que faz será reflexo de um movimento da economia mundial, que teria se iniciado antes da pandemia, com as mudanças dos fatores de produção mundiais. "Nos últimos 30 anos, no mundo, o Ocidente estava vivendo a euforia de empregabilidade e renda, mas começou a perder para o Oriente esta produção. As grandes empresas migraram para o Oriente por conta da mão de obra barata. Mas, nestas regiões, trabalhadores começaram a ter aumento de renda. Houve uma pressão de consumo no mundo, até que veio a pandemia, que quebrou a cadeia global de valor. A cadeia está sendo revista e hoje milhões de trabalhadores (estão) nesta mobilização", explica.
Essas mudanças, que passaram a tornar interessante a produção em países do Ocidente, se acirraram com a guerra entre Ucrânia e Rússia. "Sobra para o Brasil, que é o único que pode absorver esta deficiência mundial nas duas coisas que estão carentes no mundo, que são a energia e a alimentação", afirma.
Walace Sampaio concorda que o país tem uma grande oportunidade de expansão possibilitada pelo seu potencial no agronegócio. "A médio prazo, o grande problema no mundo é fome, e o Brasil tem condições disso (de produzir alimentos). É fato que o capital repensa sua atuação na Ásia. É uma oportunidade que se abre para o Brasil. Precisamos é que esta mentalidade de economia aberta que temos hoje seja mantida e aprofundada", comenta.