09 de julho de 2026
Internacional

Holanda diz ter deportado espião russo para o Brasil

FolhaPress
| Tempo de leitura: 1 min

Guarulhos  - O Serviço de Inteligência da Holanda anunciou nesta semana ter impedido um espião da Rússia que se passava por cidadão brasileiro de se infiltrar no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, responsável por investigar, entre outras acusações, possíveis crimes de guerra cometidos na Guerra da Ucrânia.

O homem, identificado como Serguei Vladimirovitch Tcherkasov, trabalharia para o GRU, unidade de inteligência militar da Defesa russa, e teria se passado por Viktor Muller Ferreira para entrar em território holandês. O episódio ocorreu em abril, mas só foi divulgado publicamente agora, num comunicado oficial.

A inteligência holandesa divulgou documentos com a história apresentada pelo suposto espião. Ele dizia ter nascido em 4 de abril de 1989 em Niterói, no Rio de Janeiro, e descrevia uma saga pessoal com diversos episódios de dificuldades financeiras e abandono paterno.

No documento, cheio de tarjas pretas que escondem parte do conteúdo, o homem conta ter vivido anos no exterior, com uma tia, depois de a mãe dele morrer devido a uma pneumonia. Ele não seria fluente em português, o que se nota pelos seguidos erros gramaticais, e o espanhol seria uma de suas línguas.

O órgão afirma que o homem foi deportado para o Brasil e que o caso foi considerado uma ameaça à segurança nacional. A inteligência holandesa diz que o documento provavelmente foi redigido em 2010 pelo próprio Tcherkasov, para que ele memorizasse a versão.

À agência de notícias Reuters o chefe da inteligência holandesa, Erik Akerboom, disse que a ameaça foi classificada de alto nível e revela o modus operandi russo. "Isso nos mostra claramente o que os russos estão fazendo --tentando obter acesso ilegal a informações dentro do TPI."

"Esta foi uma operação da Holanda de longo prazo que custou muito tempo, energia e dinheiro", disse Erik Akerboom. O Itamaraty não se pronunciou.