08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A esposa 'surda'

Hilário Nunes da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

Alfredo ligou para a secretária do otorrinolaringologista e disse que queria marcar uma consulta.

Pela voz do Alfredo, ela perguntou a idade dele, e ele disse: 85, e que estava casado há 60 anos e não queria que sua esposa ficasse surda, que a terminasse assim.

Chegou o dia e ele foi primeiro só se consultar, para não melindrar a amada.

- Qual o problema de sua esposa? disse o médico.

- Surdez. Não ouve quase nada.

- Então o senhor vai fazer o seguinte: antes de trazê-la, faça um teste para facilitar o diagnóstico. Sem ela olhar, o senhor, a certa distância, fala em tom normal, até que perceba a que distância ela consegue ouvi-lo.

E quando vier - diz o médico - dirá a que distância o senhor estava quando ela o ouviu. Está certo?

- Certo, combinado, então.

À noite, quando a mulher preparava o jantar, o marido decidiu fazer o teste. Mediu a bem distância que estava em relação à mulher. E pensou: "Estou a 15 metros de distância. Vai ser agora".

- Maria, o que temos para jantar?

Não ouviu nada. Então aproximou-se a 10 metros.

- Maria, o que temos para jantar?

Nada ainda. Então, aproximou-se mais 5 metros.

- Maria, o que temos para jantar?

Silêncio ainda.

Por fim, encosta-se às costas da mulher e volta a perguntar:

- Maria! O que temos para jantar?

- Frango, Alfredo… É a quarta vez que te respondo, homem!

Sabe, às vezes uma cegueira envolve os nossos olhos, e a pior delas é aquela quando não enxergamos a nós mesmos.

Nós enxergamos tanta coisa, mas o essencial não; enxergamos os problemas dos outros, os defeitos, as maldades deles, mas não conseguimos ver os nossos defeitos, os nossos limites, nós não conseguimos enxergar aquilo que em nós está errado. É terrível, porque quando isso acontece, estamos criticando, estamos vendo defeitos, problemas. Reparamos e falamos da vida dos outros.

Será que na minha casa quem precisa prestar mais atenção não sou "eu"? É como a história da mulher que sabe e fala dos filhos de todo mundo, está vendo a casa de todo mundo cair e não repara que a dela já caiu há muito tempo.

Olhe para a sua vida, repare na tua casa, olhe primeiro para dentro de você. Não queira corrigir, orientar, direcionar ninguém; quando você não consegue orientar, direcionar nem a sua própria vida.

Enxergue-se primeiro!

Pense nisso!