Moradores do bairro Jardim Vitória, Zona Oeste de Bauru, relatam temor crescente com casos de assaltos a pedestres na região. Nos últimos 30 dias, ao menos três roubos teriam ocorrido na área. Entre os alvos, estão adolescentes e estudantes de uma faculdade próxima, que tiveram celulares e outros pertences subtraídos. Um dos agravantes para a situação, segundo a população, é a falta de iluminação de um bosque na rua Ricardo Pezzan, que teria se tornado esconderijo e rota de fuga aos criminosos. A Polícia Militar (PM) informou que reforçará o patrulhamento no local. Já a Polícia Civil trabalha na identificação de suspeitos.
No caso mais recente, um universitário de 20 anos voltava para casa, um residencial cuja portaria fica a uma quadra da faculdade. "Percebi que havia uma pessoa escondida na 'cerca viva', no muro do condomínio. Tentei passar longe, mas ele saiu e anunciou o assalto. Estava armado com uma pistola. Tentei gritar e chamar atenção de um carro que passava, mas não consegui ajuda", conta o jovem, na condição de anonimato. O roubo ocorreu nesta última segunda-feira (20), por volta das 21h.
Rendido, foi obrigado a se dirigir até o bosque. O criminoso levou o celular, dinheiro e mandou o estudante correr. "Fui até a portaria de outro condomínio, onde tive ajuda e consegui chamar minha família e a PM. Agora, é um motivo a mais para nos preocuparmos, porque já percebemos que estão usando essa estratégia", relata.
COM MEDO
De fato, os bandidos já haviam usado tática semelhante para assaltar adolescentes nas proximidades, cerca de um mês atrás. "Meu filho estava em um grupo com mais sete amigos. Tinham saído de outro condomínio para vir aqui em casa, por volta das 20h30. Dois deles ficaram para trás e foram surpreendidos pelos assaltantes, que saíram do bosque. Estavam armados. Levaram a mochila, onde estava o celular no meu caçula", conta a mãe da vítima, também na condição de não se identificar. O adolescente tem 15 anos.
Moradora do condomínio há dez anos, a mulher ainda relata caso parecido com vizinhos de outro residencial, também perto do bosque. "É muito escuro e perigoso. Meu filho não sai mais de casa à noite. O mais velho estuda na faculdade e vamos levar ele de carro. É só uma quadra, mas temos medo".
POLÍCIA
De acordo com o delegado Cledson do Nascimento, da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), a Polícia Civil trabalha na identificação dos criminosos. "Aparentemente, trata-se do mesmo autor em todos os casos. Tanto pelo modo de atuação quanto pelas características físicas. Uma de nossas dificuldades é que, muitas vezes, as vítimas não vão até a delegacia fazer o reconhecimento. Em duas situações, tivemos que insistir para as vítimas registrarem o boletim de ocorrência (BO), ferramenta importante, principalmente, para a polícia preventiva", afirma.
Já a PM informou, por meio de nota, realizar diuturnamente policiamento preventivo direcionado aos locais e horários de maior incidência criminal por meio de radiopatrulhas, Força Tática e Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam).
Disse ainda que, com base nas informações de inteligência e registros de boletins de ocorrência, reforçará o patrulhamento no local.
PREFEITURA
Já a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) afirmou, também por nota, que está entrando em contato com a empresa adotante do bosque citado para que a mesma realize melhorias no local, como a reinstalação do alambrado e mais iluminação.