09 de julho de 2026
Geral

Animais do Zoo ganham 'arraiá'

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Com direito a comidas típicas e recintos decorados com bandeirinhas e balões, até o Zoológico de Bauru entrou em clima junino. Desde esta segunda quinzena de junho, os animais têm participado de um arraiá, iniciativa que consiste em enriquecimentos alimentar e ambiental, realizados com foco na promoção de estímulos cognitivos e também na variação na dieta dos habitantes do local.

A ação temática segue até o fim de julho. Até lá, visitantes do parque poderão conferir a interação dos animais diante das várias intervenções juninas.

Diretora do Zoo de Bauru, Cláudia Cristina da Costa Ladeira explica que alimentação dos habitantes é feita, geralmente, pela manhã, período em que há maior probabilidade de assistir às cenas inusitadas. "Alguns animais são mais curiosos e é possível vê-los interagindo mais com os alimentos e o ambiente, como a anta e o suricata", exemplifica.

"Já outros não interagem tanto, como as cobras, por exemplo, que ficam em letargia e nem mesmo comem durante o frio. Mas, neste caso, realizamos o enriquecimento ambiental do recinto, com chapéu, balões e bandeirinhas", completa Ladeira.

DIETA JUNINA

Ao longo do período de arraiá, são servidos aos animais alimentos como milho verde, batata-doce, pipoca feita na água e sem óleo ou sal, abóbora, entre outros. Estímulos de olfato, como a inserção de canela, e de ambiente, como o feno, também são utilizados em alguns recintos.

Todas as atividades são feitas com acompanhamentos de biólogos e veterinários para garantir o bem-estar e saúde dos animais. "Os enriquecimentos já ocorrem toda semana como forma de quebrar a rotina e prover o bem-estar deles. E, neste mês, aproveitamos para entrar no clima junino e oferecer alimentos típicos, mas tudo dentro do que eles já estão acostumados. No recinto dos carnívoros, por exemplo, a carne é colocada dentro de uma abóbora como forma de estimular o cognitivo", explica Ladeira.

VANTAGENS

A médica veterinária Nataly Nogueira Ribeiro Pinto, que faz mestrado na Unesp de Botucatu e desenvolve sua pesquisa no Zoológico de Bauru, enxerga vantagens na iniciativa.

Para ela, a "festa junina" faz, por exemplo, com que os animais se ocupem e se movimentem na busca por alimentos (forrageamento). "Oferecemos atividades que estimulam o comportamento natural, aquele que eles apresentam em vida livre. Nesta terça-feira (21), por exemplo, colocamos pipoca para os cangurus. Em vida livre, eles não comem pipoca, mas passaram boa parte do tempo procurando alimento. Então, essa atividade fez com que eles passassem um tempinho a mais fazendo o que chamamos de forrageamento", reitera.

Isso porque, na natureza, a procura por alimentos ocupa parte considerável do tempo em que o animal está acordado, por ser uma de suas principais atividades. "A iniciativa no Zoo de Bauru demonstra o quanto o enriquecimento ambiental pode ajudar todo tipo de animal", finaliza a veterinária.