08 de julho de 2026
Ser

Novos desafios para dormir

Rafael Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

As pesquisas clínicas recentes na área da medicina do sono têm encontrado novos padrões de sintomas que vão muito além de identificar que o paciente ronca ou tem insônia. Em um congresso de neurociência que deu espaço ao tema, um grupo de pesquisadores apresentou quadros que variam de comportamento erótico noturno, uma nova síndrome de estreitamento das vias aéreas e a ocorrência simultânea de insônia crônica com apneia obstrutiva do sono.

Um deles é a síndrome da resistência das vias aéreas superiores (SRVAS), um diagnóstico que começou a ser adotado para enquadrar aqueles pacientes que têm problema respiratório para dormir mas não possuem um quadro típico de apneia obstrutiva, a condição que bloqueia totalmente a passagem do ar e desperta a pessoa.

Como em geral ela não provoca danos tão graves quanto a apneia típica, a comunidade ainda debate sobre se a SRVAS é uma condição real, mas a epidemiologia da doença sugere ser um transtorno com um perfil diferente. "A síndrome da resistência das vias aéreas superiores não é como a apneia, em que a pessoa basicamente para de respirar durante a noite em alguns momentos, mas ela provoca uma limitação de fluxo do ar que também acorda a pessoa", explica o neurorradiologista Sérgio Brasil Tufik, doutorado pela Unifesp e se especializando em administração pela Universidade Yale.

O pesquisador apresentou dados de pesquisa sobre a SRVAS no 21º Congresso de Cérebro, Comportamento e Emoções (Brain 2022), realizado na semana passada em Gramado (RS), dedicado a neurociência e comportamento. Essa síndrome tem frequência relativamente baixa no Brasil (3%), sendo mais frequente em jovens e mulheres. Esse padrão de ocorrência é exatamente o oposto da apneia, que apesar de ter 30% ou mais de prevalência, é mais comum em homens e idosos.

Um outro tipo de quadro que tem ganhado uma visão diferente dentro da medicina do sono é a ocorrência simultânea de apneia obstrutiva e insônia crônica nas mesmas pessoas. Essa combinação é descrita na área pelo acrônimo Comisa (Comorbidade de Insônia e Sono com Apneia). Apesar de insônia e apneia serem duas condições bem conhecidas isoladamente, quando acometem ao mesmo tempo uma única pessoa o tratamento precisa ser mais cuidadoso, para que a solução para um dos males não agrave o outro.

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