08 de julho de 2026
Articulistas

Distraídos

Arnaldo Pinzan
| Tempo de leitura: 2 min

Nos dias de hoje, estamos tão distraídos em observar o nosso entorno e perdemos a chance de nos encantar. Na parede da cozinha, ao redor do açucareiro ou no jardim, vemos as formiguinhas no seu trabalho diário de procurar alimentos e levá-los para o sustento de suas companheiras no formigueiro. Nenhuma está preocupada com o tamanho da carga que leva, sendo importante alimentar seu ninho.

Desse planeta que habitamos, sabemos a nascente e a desembocadura dos rios de água doce. Nesse trajeto, ele corre indiferente, irrigando a mata das margens, servindo de habitat aos peixes, meio de transportes, de subsistência como estações de tratamento da qual somos dependentes da hidratação e higienização corpórea e até práticas de esportes, como recurso importante para a agricultura, no seu represamento e gerando energia com fins diversos, como iluminar casas, cidades, ruas, hospitais, indústrias, aparelhos domésticos, sem se preocupar desse seu gesto de tamanha importância e vital como em UTIs e cirurgias, simplesmente fazendo seu trabalho silencioso serpenteando entre montanhas, vales e cachoeiras que tanto nos encantam, quando contemplamos.

Tão maltratados por algumas de nossas atitudes como locais de despejos irresponsáveis de dejetos e produtos químicos. Outras águas fantásticas são as salgadas dos oceanos, que encurtam as distâncias quilométricas entre países, meios de subsistência pela pesca, por navios de transporte de carga e de passageiros. Alguns lugares com enseadas, outros com violência contra as rochas e faróis que norteiam os navegantes, e até práticas esportivas como natação, velejamento, campeonatos surf, de referências e orientação geográficas assemelhando-se nessa função à dos rios. As árvores que crescem lentamente, fornecendo o oxigênio, frutos, sombras, madeiras para a fabricação de móveis, papel e hoje menos, mas fonte passada de energia para caldeiras e até fornos a lenha de pizzarias e restaurantes.

As aves e animais que habitam seus ecossistemas, até os criados para abate e alimentação dos seres humanos e cada vez maior e necessitada para sua sobrevivência. Desse mesmo solo do nosso planeta, em alguns lugares, brotam fogo em forma de lava dos vulcões, num antagonismo imenso com a nascente do rio.

E nós, seres humanos, esquecendo de nossa importância de manter esses equilíbrios, invadimos, destruímos, alteramos cursos naturais das coisas, numa louca e desenfreada busca do maior lucro. Um dia a conta chegará, e já está chegando. Disse Jesus "Tira primeiro a trava de seus olhos...". Grande verdade. Meu amigo tem uma frase ótima "somos cegos de olhos abertos".

Existem restaurantes e jardins sensoriais que nos encantam com esses dons que temos e não usamos. Quando ajudamos um deficiente visual a atravessar uma rua, deixe que ele pegue no seu braço, pois você está sendo seus olhos. Enxergue longe. Pense na continuidade de sua vida e na qualidade que deixamos aos filhos, netos, bisnetos, e por aí vai.

O autor é professor aposentado FOB-USP e membro do Lions Centro e M.E.C.E. da Paróquia Universitária de Bauru.