Brasília - O presidente Jair Bolsonaro (PL) mudou de discurso nesta quarta-feira (29) e admitiu que pode haver casos de desvio de verba pública no governo federal.
Até então, o chefe do Executivo descartava a possibilidade de existirem episódios de corrupção no governo. Agora, complementou a frase que costuma usar e disse que podem existir atos ilícitos, mas que não há "corrupção endêmica" na sua gestão.
"No governo, não temos nenhuma corrupção endêmica. Tem casos isolados que pipocam e a gente busca solução para isso", afirmou em palestra a empresários em evento da CNI (Confederação Nacional da Indústria). A declaração do presidente nesta quarta-feira foi dada durante pronunciamento em evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) no qual os pré-candidatos à Presidência da República dialogaram com empresários do setor industrial.
Além de Bolsonaro, Simone Tebet e Ciro Gomes compareceram. Segundo a organização, havia cerca de 1,5 mil empresários na plateia.
MEC
A afirmação do presidente, ocorreu uma semana após o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro ser preso pela Polícia Federal. Ele foi detido em uma operação que investiga uma suspeita de balcão de negócios no Ministério da Educação e na liberação de verbas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).
Uma dia depois, foi libertado por um magistrado de segunda instância.
Senadores articulam a instalação de uma CPI para apurar as denúncias relativas ao MEC.
Na palestra, o presidente ignorou as denúncias de assédio sexual contra o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães. O chefe do Executivo discursou por mais de 25 minutos e não mencionou o assunto.