Estudantes da Unesp de Bauru realizaram protestos, nesta sexta-feira (1), acusando de assédio sexual um professor adjunto da universidade. Hoje de manhã, um cartaz exposto no câmpus mostrava mensagens de conotação sexual supostamente enviadas pelo docente Marcelo Magalhães Bulhões a alunas.
A pauta repercutiu nas redes sociais e mais universitários denunciaram a conduta do educador, dizendo que o comportamento ocorre há vários anos. Bulhões nega e se diz "chocado".
Tanto o professor quanto a Unesp se posicionaram sobre o assunto por meio de nota (confira a seguir na íntegra). A reportagem completa será publicada na edição impressa do Jornal da Cidade deste sábado (2).
Nota de posicionamento de Marcelo Bulhões na íntegra:
“Foi com estarrecimento que fiquei sabendo que cartazes foram afixados no campus com teor acusatório a mim. Estou ainda chocado.
De modo semelhante, foi com enorme e desagradável surpresa que em 2019, em postagem no Facebook, recebi uma acusação de assédio. Naquela altura, ao tomar conhecimento que um coletivo da Unesp havia feito acusações com esse teor, solicitei uma reunião com o grupo de alunas. Elas recusaram o diálogo. Solicitei essa reunião por, naquela altura, estar totalmente perplexo diante das acusações. Uma comissão de sindicância foi, então, constituída pela FAAC – Unesp. Após um processo de investigação, o arquivamento do processo se fez precisamente por afiançar que nenhuma ação do teor de assédio foi por mim cometida. No curso do processo, aliás, recebi depoimentos de incondicional apoio e elogio ao meu profissionalismo, escrito por dezenas de alunas que foram minhas orientandas (mestrado, doutorado e iniciação científica). Portanto, só posso afirmar que estou absolutamente estarrecido diante de uma situação que julgo absurda. Os cartazes, aliás, foram anonimamente forjados e afixados no campus.
Sou docente da Unesp desde 1994, ou seja, trata-se de 28 anos de trabalho em sala de aula, tendo atuado ao lado de milhares de alunos, sem que qualquer mínimo indício concreto do que se pode ser classificado como assédio possa ser apontado.
Atingem-me do modo mais vil.
Entendo que legítimas e importantes demandas da atualidade – luta contra o racismo, movimento feminista – têm produzido uma mobilização de empatia diante de causas importantes. Nesse caso, todavia, estou sendo vítima de calúnia, cuja propagação em tempos digitais é implacável.”
Nota de posicionamento da Unesp na íntegra:
“A Unesp, câmpus de Bauru, vem a público informar que está atenta e acompanhando, desde a manhã desta sexta-feira, as manifestações que circulam nas redes sociais e em cartazes dentro do câmpus referentes à conduta inadequada por parte de um dos seus docentes.
Cabe esclarecer que em 2017 foi instaurada uma apuração preliminar de natureza investigativa a partir de denúncias de assédio do docente mencionado nos cartazes. Tal processo culminou em uma sindicância administrativa contra este servidor, finalizada em 2018. A comissão sindicante, à época, indicou o arquivamento dos autos com recomendações, tais como instauração de mecanismos para fomentar medidas educativas e elucidativas sobre assédio.
A Unesp vem desenvolvendo, desde então, ações efetivas de combate à violência, sobretudo ao assédio: Guia contra o Assédio (https://www2.unesp.br/Home/ouvidoria_ses/guia-unesp-prev-assedio-compactado-18fev2020-m501_u7_18022020160311.pdf); Aplicativo UNESP Mulheres (https://www2.unesp.br/noticia/36788/aplicativo-amplia-a-rede-de-protecao-as-mulheres-da-unesp) e Protocolo Institucional de Acolhimento às Vítimas de Violência Sexual (https://www2.unesp.br/Home/ouvidoria_ses/protocolo.pdf), entre outras.
A Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (FAAC) repudia toda e qualquer prática de assédio. A FAAC defende a dignidade humana e é pautada por princípios que visam garantir o respeito e convívio harmônico em quaisquer circunstâncias e locais, especialmente em sua ambiência acadêmico-laboral. Nesse sentido, afirma que não medirá esforços para colaborar com as soluções de qualquer fato oficialmente demandado, tomando as medidas cabíveis, seguindo os protocolos administrativos com ética, responsabilidade e transparência.
A FAAC reitera que toda e qualquer prática de assédio não é tolerada e ressalta a importância da formalização de denúncias, nos vários canais, inclusive na Ouvidoria da Unesp, que inclusive pode garantir o anonimato, evitando a exposição de vítimas e cobrando da comunidade unespiana atitudes que correspondam aos valores sociais e humanos condizentes com a excelência dos serviços públicos prestados pela instituição.”