09 de julho de 2026
Geral

Alunas da Unesp acusam professor de assédio e realizam manifestação

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

Estudantes da Unesp de Bauru realizaram protestos, nesta sexta-feira (1), acusando um professor adjunto de assédio sexual. Na manhã de ontem, um banner exposto no câmpus mostrava mensagens de conotação sexual supostamente enviadas pelo docente Marcelo Magalhães Bulhões a alunas. Já durante a noite dezenas de universitários se manifestaram em frente à sala onde o professor daria aula, e colaram cartazes chamando-o de 'assediador' e cobrando providências por parte da universidade. Por meio de nota, Bulhões nega as acusações e se diz "chocado" (leia mais abaixo).

As capturas de tela das supostas conversas entre o professor e alunas mostram que ele teria demonstrado o desejo de ter relações sexuais com elas. Em uma das mensagens, ele teria escrito: "a verdade é que nosso desejo não passa". No início da tarde de ontem, seguranças retiraram o banner. O JC omitiu os trechos de teor explícito.

Uma estudante de Jornalismo da Unesp, de 23 anos, que pediu para ter a identidade preservada, afirma que a conduta de Bulhões se repete há anos e que ela, inclusive, no início da graduação, teria sido assediada pelo docente.

"Ele estava dando uma explicação para meu grupo e por várias vezes tentou encostar a mão no meu peito. Eu me afastava, ele se aproximava. Por sorte, tinha uma mesa entre nós. Depois, perguntei para meus amigos se eles notaram algo estranho na atitude dele, e disseram que sim. Então não era coisa da minha cabeça", relata.

A jovem conta que, conversando com alunas, soube de outras situações envolvendo o mesmo professor, como situações em que ele teria as assediado por meio do próprio sistema da Unesp.

Porém, mesmo assim, a estudante diz que muitas alunas - inclusive ela mesma, quando foi vítima - optam por não denunciar. "É de conhecimento de todos o histórico da Unesp de não levar a sério essas denúncias e acobertar. E sabemos que alguns do próprio corpo docente também acobertam", critica.

OUTRO CASO

Essa, no entanto, não é a primeira vez que Bulhões é denunciado por assédio sexual. Segundo a nota enviada pela própria Unesp, em 2017 ele foi alvo de uma investigação interna, finalizada em 2018. "A comissão sindicante, à época, indicou o arquivamento dos autos com recomendações, tais como instauração de mecanismos para fomentar medidas educativas e elucidativas sobre assédio".

Na prática, segundo a estudante de Jornalismo, quando surgem denúncias contra o docente, ele apenas é transferido entre cursos do câmpus, mas nenhuma atitude efetiva contra ele é tomada.

REPERCUSSÃO

O caso repercutiu nas redes sociais e mais unespianos denunciaram situações de assédio, sendo alguns deles narrados em 2013. A pauta também chamou a atenção da deputada estadual Isa Penna (PCdoB), titular na Comissão de Mulheres da Alesp, que comentou o caso no Twitter.

Além disso, foi criado um abaixo-assinado online a favor da exoneração do docente. Até o fechamento desta reportagem, às 21h de ontem, a petição contava com 3.386 assinaturas.

Em nota, a Unesp informou que "está atenta e acompanhando, desde a manhã desta sexta-feira (1), as manifestações que circulam nas redes sociais e em cartazes dentro do câmpus referentes à conduta inadequada por parte de um dos seus docentes".

Além disso, afirmou que repudia toda e qualquer prática de assédio e que "não medirá esforços para colaborar com as soluções de qualquer fato oficialmente demandado, tomando as medidas cabíveis, seguindo os protocolos administrativos com ética, responsabilidade e transparência", e ainda incentivou os alunos a oficializarem denúncias.

O Conselho Municipal de Políticas para Mulheres também se manifestou. "Estamos muito preocupados com os abusos e queixas de alunas e outras mulheres no câmpus de Bauru. É urgente que se apure de forma séria", protestou.